A proximidade e o acolhimento de Jesus aos pecadores não era compreendida pelos chefes religiosos do seu tempo. Eles tinham inventado um Deus justiceiro e castigador. Para eles, o cumprimento da Lei era o valor supremo. A pessoa estava submetida ao poder da Lei. A Lei escrevia-se com letra maiúscula e a pessoa com minúscula! Mas Jesus Cristo inverte esta importância: apresenta a pessoa como valor supremo e a lei ao serviço da pessoa. Jesus Cristo mostra que, para Deus, o ser humano é o mais importante, o mais precioso aos seus olhos. Nesta passagem do evangelho, aparentemente, parece que Jesus está disposto a cumprir a Lei; mas com uma condição: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Atirar a primeira pedra era a obrigação ou o «privilégio» da testemunha. Neste caso, aquele ou aqueles que apanharam a mulher em adultério podiam (ou deviam) ser os primeiros a atirar a pedra. Deste modo, ficava implicado pela execução e evitava-se a ligeireza de condenação de pessoas inocentes. Afinal, todos acusavam a mulher, mas perante a proposta de Jesus nenhum quis ser responsável pela sua morte. «Ninguém te condenou? [...] Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar». A iniciativa parte de Jesus Cristo. Ela não pede nada. Aliás, o único pedido tinha sido feito pelos acusadores: «Tu que dizes?». Aos acusadores, Jesus exige uma condição: quem não tiver pecado, atire a pedra. Mas o perdão é dado sem condições nem exigências. Nem sequer sabemos se ela estava arrependida! Não é o arrependimento nem a penitência que alcançam o perdão. Só a descoberta de um amor incondicional pode levar aquela mulher a mudar de vida. Só o amor é capaz de mudar a vida. A mudança poderá resultar da tomada de consciência de que Deus Amor. Um amor que vive dentro de nós! Esta é a grande novidade de que fala a primeira leitura: «Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes?». Esta é a novidade que produz uma reviravolta na vida dos discípulos, bem testemunhada por Paulo na segunda leitura: «continuo a correr, para ver se a alcanço, uma vez que também fui alcançado por Cristo Jesus». O pecado é sempre coisa do passado! Infelizmente, vivemos uma religião que nos desafia a rebolar continuamente no nosso «lixo» sem nos ajudar a ver a possibilidade do novo que Deus continua a produzir na nossa vida.

Que atitudes novas me pede o evangelho deste domingo? «Não cedamos nunca ao pessimismo, [...] não cedamos ao pessimismo e ao desencorajamento» — disse o Papa Francisco a todos os cardeais. «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar» — disse Jesus. «A verdade cristã é atraente e persuasiva porque responde à necessidade profunda da existência humana, anunciando de maneira convincente que Cristo é o único salvador» — acrescentou o Papa. Jesus Cristo convida aquela mulher, convida cada um de nós, a iniciar um caminho novo. E de novo as (belas) palavras do Papa: «Agora iniciamos este caminho, bispo e povo... [...] Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós». Caminhemos, corramos para alcançar Cristo, pois ele já nos alcançou primeiro!



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.3.13 | Sem comentários
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