— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Terça da segunda semana


— Evangelho segundo Mateus 23, 1-12

Naquele tempo, Jesus falou à multidão e aos discípulos, dizendo: «Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus. Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem. Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover. Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens: alargam as filactérias e ampliam as borlas; gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas e que os tratem por ‘Mestres’. Vós, porém, não vos deixeis tratar por ‘Mestres’, porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos. Na terra não chameis a ninguém vosso ‘Pai’, porque um só é o vosso pai, o Pai celeste. Nem vos deixeis tratar por ‘Doutores’, porque um só é o vosso doutor, o Messias. Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

— «O maior entre vós será o vosso servo. 

      Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado»

Jesus fala de «escribas e fariseus», mas refere-se a um tipo de religiosidade que pode acontecer em qualquer âmbito religioso, também nas comunidades cristãs. As acusações são fortes e denunciam com dureza a hipocrisia. A hipocrisia acontece quando a manifestação exterior não coincide com o que se passa no coração.
A primeira acusação é de incoerência: «dizem, mas não fazem». E continuam uma série de práticas, feitas em nome da fé, que nada têm a ver com ela: fazer que outros cumpram, sem que o cumpra quem o manda («os fardos pesados» e o «nem com o dedo os querem mover»); a exibição religiosa: o que conta é a aparência, pouco importa o coração. A exibição pessoal... São vícios religiosos que batem à porta de todos.
Há «saldos de pretensões». Mestres, pais, chefes (líderes) não são maneiras de nomear aqueles que, depois de ter cumprido tudo, têm que dizer: «somos servos inúteis; fizemos o que tínhamos de fazer» (Lucas 17, 10). Não nos enganemos, ficando nos «pais». Se o sentido desta advertência é para que «não nos suba à cabeça» a responsabilidade que temos, a mesma polémica acontece com os que se chamam «doutores» ou «mestres» ou «líderes» ou «apóstolos»... (e desses nomes, conhecemos muitos!).
O verdadeiro sentido encontramo-lo no final: «o maior entre vós será o vosso servo». Por aqui, sim; chegamos a algo que é importante: a autoridade como serviço ou o «servir para reinar». O versículo doze lembra-nos o Magnificat: «derruba os poderosos dos seus tronos e exalta os humildes». O «será exaltado» tem como sujeito Deus: Deus exaltará aquele que se humilha. Não de uma forma masoquista. Trata-se da humildade do serviço

— Sinais para o caminho de fé

  • A fé que não toca o coração (o interior) da pessoa, não pode chamar-se fé. As práticas religiosas não identificam necessariamente um crente. Identificam-no somente quando são expressão da mudança de direção que se produziu no interior. 
  • Tem de haver coerência entre a fé e a vida. Contentar-se em falar com Deus, mas sem cumprir a sua vontade é enganarmo-nos a nós mesmos e enganar as pessoas. «Nem todo o que me diz 'Senhor, Senhor' entrará no Reino dos céus, mas só aquele que cumpre a vontade do meu Pai que está nos céus» (Mateus 7, 21).
  • Quem tem verdadeira fé é o primeiro a «aproximar o ombro» para dar a mão a quem precisa.
  • Uma coisa é dar testemunho da fé (com o estilo de vida) e outra muito diferente é o exibicionismo da fé (com práticas externas, vazias de vida). Precisamos de testemunhas da fé, não de exibicionistas da fé. 
  • A fé identifica-nos com Jesus, Servo. As atitudes de servo e não de amo ou tirano dos outros são as que manifestam a nossa fé.
© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.2.13 | Sem comentários
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