— reflexão semanal sobre o credo niceno-constantinopolitano — 

O «Credo niceno-constantinopolitano» une o Batismo (cf. tema 38) ao perdão dos pecados: «Professo um só batismo para remissão dos pecados». Esta afirmação surge no contexto da fé no Espírito Santo e na Igreja. «Fazer objeto da nossa profissão de fé ‘a remissão dos pecados’ é, antes de tudo, caminhar uma vez mais ao encontro do dom do Espírito Santo e da origem batismal da pertença à Igreja» (Dionigi Tettamanzi, «Esta é a nossa fé!», Paulinas, Prior Velho 2005, 128). [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 20, 19-23; Catecismo da Igreja Católica, números 976-980, 1263-1266 e 1279

«Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados» — esta missão confiada por Cristo ressuscitado aos apóstolos, no relato do evangelho segundo João, está associada ao dom do Espírito Santo. A Igreja recorda-o na forma sacramental da reconciliação: «enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados». Este dom do Espírito Santo, oferecido na tarde do dia de Páscoa — «o primeiro da semana» — lembra o «sopro» do ato criador (cf. Génesis 2, 7) e inaugura uma nova criação. Assim como, no início, o «sopro» de Deus comunicou ao ser humano o dom da vida, agora o «sopro» de Deus comunica ao ser humano o dom de uma vida nova, uma «recriação». «Estamos aqui no coração do Evangelho. O perdão é oferecido desde a primeira à última página. O pecado é aí comparado a uma dívida, e o perdão é um crédito de amor. Aqui está todo o Evangelho, este Evangelho que os apóstolos proclamaram, o Evangelho do perdão dos pecados. Nós somos salvos, porque somos amados, perdoados, reconciliados. O pecado mata em nós a vida eterna. Em Cristo, Deus vem restaurá-la, repará-la, curá-la» (Mons. Christophe Dufour, «Cinco pequenas catequeses sobre o Credo», Edições Salesianas, Porto 2012, 74). 

O projeto salvador — professado no «Credo» —, que ilumina toda a história, tem a marca do amor incondicional do Pai, dado a conhecer pelo Filho e vive no coração humano pelo Espírito Santo. 

Para remissão dos pecados. «A ‘remissão dos pecados’ deve ser lida sobre o fundo da experiência de ingresso numa vida nova e de superação de um mundo velho. Ela é ‘recriação do coração’. Os seus efeitos são: a libertação de uma condição de escravidão, de dependência, de inautenticidade e, por vezes, de falsidade; a vitória sobre os medos que bloqueiam a alegria de viver, como o medo dos outros ou da morte; a iluminação do sentido verdadeiro das coisas» (Dionigi Tettamanzi, 131). Neste sentido, tendo presente o «mundo velho» do mal e do pecado, «o Deus revelado na Bíblia é fiel e nunca se esquecerá das suas criaturas: a sua ‘memória’ de ternura e de perdão envolve a nossa existência, é como o seio em que o nosso coração pode repousar em paz. Esta ‘memória’ estende-se até abraçar o nosso pecado: ao perdoar-nos, Deus não anula a consistência do nosso ato, mas tem-no em conta. Por isso, é necessário que à sua oferta de perdão corresponda a progressiva conversão do nosso coração: Deus não ‘salta’ sobre o homem, mas procura-o, ama-o e perdoa sobretudo o homem que, ao cometê-lo, se exprimiu. Então, a memória do pecado entra na alegria da comunhão reencontrada que, de um lado, é sinal do amor do Pai que nunca se esqueceu da sua criatura, e do outro, da dignidade do filho perdido que regressa à casa paterna, não como se nada tivesse acontecido, mas com a consciência de ter de apelar a uma imensa gratuidade de amor, a que deve corresponder com a gratidão de toda a sua vida. Então, ‘não esquecer’ não se opõe a ‘perdoar’, porque quem perdoa não esquece, mas assume o passado de um modo inteiramente novo na memória do amor. É assim que Deus faz ao perdoar-nos: não destrói o nosso passado, mas assume-o na paz, para que toda a nossa vida seja reconciliada e celebre a glória do seu amor. Este perdão, pela vontade que Jesus manifestou em confiar a missão da reconciliação aos Apóstolos, passa através do ministério da Igreja: o pecador é alcançado na sua vida quotidiana concreta e reconciliado ao mesmo tempo com o Pai e com a comunidade. Ao confessar humildemente o seu próprio pecado e ao abrir-se na fé ao dom da reconciliação, o pecador é tornado uma nova criatura pelo Espírito Santo que lhe foi infundido e pode viver o novo início do amor, no seguimento de Jesus e do seu Evangelho. A vida ressurge da morte, o perdão recebido faz-se perdão oferecido, o amor impossível torna-se possível, apesar da fragilidade da condição humana. É o milagre da remissão dos pecados e da reconciliação!» (Bruno Forte, «Eis o Mistério da Fé: crer, viver, testemunhar», Paulinas Editora, Prior Velho 2012, 19-20).
 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.2.13 | Sem comentários
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