— Nihil Obstat - blog de Martín Gelabert Ballester, OP — 

A vida humana é uma combinação de histórias. Somos um produto da natureza. Há uma história natural que nos constitui e nos une a todos os seres vivos, sobretudo aos primatas e mamíferos. O estudo desta história diz-nos que nós, humanos, somos uma espécie fruto da evolução. E explica-nos como funcionam os nossos genes para permitir o desenvolvimento e o funcionamento das nossas faculdades mentais e, inclusive, como esses genes influenciam o nosso comportamento. Mas a história da humanidade não está escrita apenas nos genes. Possuímos também uma história pessoal forjada a partir das relações com as outras pessoas e dos nossos conhecimentos culturais. A simples história natural não nos diz se as nossas crenças acerca de Deus são verdadeiras ou se as nossas condutas são corretas. Estas convicções adquirem-se com a educação.
 Para os crentes, há uma terceira história, que também é constitutiva do humano: a história que Deus quer fazer com o ser humano. Esta história não se sobrepõe às outras histórias, já que o natural e o pessoal são a condição de possibilidade da história divina. E, ao mesmo tempo, a história divina é aquela para a qual tendem a natural e a pessoal. Com efeito, o Deus da Bíblia, que cria o ser humano à sua imagem e semelhança, é o Deus do genoma humano. Por outro lado, a evolução genética levou-nos à evolução cultural e humana, dando-nos a capacidade de acolher o espírito de Deus. A genética tornou possível um ser capaz de se dedicar à ciência, à arte e à religião.
Pois bem, esta história divina emerge ambígua. Este produto da evolução, que foi constituído por Deus como sua imagem e semelhança, ou dito de outro modo, que foi chamado ao diálogo e amizade com Deus, também foi culpado por uma história de mortes, horrores, injustiças; uma história só própria do mais selvagem dos animais. Como é que isto se explica? Porque o ser humano é uma imagem provisória de Deus, uma imagem imperfeita, incompleta. O Novo Testamento diz que a verdadeira imagem de Deus invisível é Jesus Cristo. Ele é a chave que nos permite compreender a história. Na medida em que nos identificamos com Jesus, a imagem de Deus que é o ser humano alcança a plena humanidade.  

© Martín Gelabert Ballester, OP
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.2.13 | Sem comentários
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