— Todo tiene su momento - blog de Pedro Jaramillo —

Nunca te aconteceu? Por fazer tantas vezes as mesmas coisas. Pela rotina de todos os dias... Por aquele «mais do mesmo»... Muitas vezes escutei: «um novo plano de pastoral? E que novidade pode ter? No final, aterramos sempre no mesmo sítio. Ou melhor: nunca aterramos». E assim acontece: em lugar de evangelizadores, tornamo-nos funcionários/rotineiros. Atenção! Não é um perigo só dos padres! Leigos e leigas, na pastoral, às vezes, também são funcionários. Não remunerados, é verdade, mas com alma de funcionários: sem mística, sem paixão, sem dar conta do que transportam nas mãos. Nas mãos, o mistério de Deus ou queima ou se converte em cinzas.
Pensa um pouco. Se me perguntas: então como posso viver o chamamento a ser evangelizador? Partilho contigo o que eu digo a mim mesmo, no coração da missão. Às vezes esqueço-me; e converto-me também num «ativista pastoral».

1. Levas nas tuas mãos o mistério da salvação 

Ao chamar-te, Deus põe no teu coração e nas tuas mãos o mistério da salvação: Jesus, o Senhor, entregue por todos até à cruz. Ressuscitado pela força do Espírito, para esperança de todos os seres humanos. Jesus é o caminho que nos introduz no mistério do Pai, no mistério da Santíssima Trindade. Tu próprio, como batizado, e toda a comunidade de batizados, que somos a Igreja, estamos dentro desse mistério de Deus trino. Desde Deus somos e desde Ele trabalhamos. O nosso trabalho não é igual a ser membros de uma organização humana na qual «nos inscrevemos»: um clube, uma ONG, uma associação cultural ou política..., não somos uma associação religiosa. A Igreja, através dos sacramentos, introduz-nos no mistério de Deus. Nós acolhemos, aprofundamos e vivemos esse mistério. Por isso, o que te define é o amor recebido do Pai, graças a Jesus Cristo, pela unção do Espírito Santo (DA 14).

2. Admiração e contemplação do mistério 

Deves-te acostumar a admirar e a contemplar o mistério da salvação que proclamas. Como discípulo missionário, hás de ser contemplativo (não só fazer coisas, mas saborear no teu coração as «coisas de Deus», «as suas delícias em estar com os homens»): Jesus torna-se familiar, porque partilha contigo a mesma vida que vem do Pai e, como ao discípulo, pede-te uma união íntima com Ele e obediência à Palavra do Pai, para produzir frutos de amor em abundância (DA 133).
Com frequência, estamos tão aplicados nas tarefas pastorais que se corta a veia da admiração e da surpresa..., e caímos na rotina. Fazemos as coisas por fazer... E assim não vale. Se não adoramos no mais fundo de nós mesmos a grandeza do mistério de Deus, seremos bons propagandistas, uns bons publicitários («no ponto»), mas não seremos evangelizadores.

3. O anúncio do Evangelho a partir do coração, cheio de Deus 

O Evangelho anuncia-se a partir da «abundância do coração». É preciso que nos sintamos «agarrados por Deus». Se não conheces Deus em Cristo e com Cristo, toda a realidade se converte num enigma que não podes decifrar. Sem Cristo não há caminho e, ao não haver caminho, não há vida nem verdade, assim dizia o Papa no discurso inaugural na Aparecida (Brasil). Com todos os batizados, que formam a tua comunidade, és chamado a «recomeçar a partir de Cristo», a reconhecer e a seguir a sua presença com a mesma realidade e novidade, o mesmo poder de afeto, persuasão e esperança que teve o encontro de Jesus com os seus primeiros discípulos (DA 549).
Um encontro com Jesus Cristo que se realiza no mistério. Tem a sua origem e meta em Deus, «n’Ele vivemos, nos movemos e existimos». D’Ele vimos e para Ele caminhamos. E fazemo-lo mediante o Espírito Santo, que nos torna verdadeiros filhos de Deus e irmãos de todos os homens e mulheres, em Cristo Jesus. A partir do Pentecostes, a Igreja experimenta de imediato fecundas irrupções do Espírito, vitalidade divina que se expressa em diversos dons, carismas e variados ofícios, que edificam a Igreja e servem a evangelização (DA 150). Por isso, dizemos que o Espírito Santo é o primeiro evangelizador: o Espírito é o mestre interior que te conduz ao mistério da verdade plena, tornando-te discípulo missionário (DA 151).
De facto, assim, sentes-te «contemplativo na ação». Em frente! Até à próxima. Um abraço. Pedro

© Pedro Jaramillo
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.2.13 | Sem comentários
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