— Nihil Obstat - blog de Martín Gelabert Ballester, OP — 

«Quando um pobre invoca o SENHOR, Ele atende-o e liberta-o das suas angústias». Até que ponto estas palavras do Salmo 33 (34) são mais do que um desejo? Deus escuta mesmo as nossas preces? E, sobretudo, que experiência tem o ser humano de ser escutado por Deus? Porque a evidência é que, perante a prece humana, não há nada mais do que o silêncio. Será o silêncio a resposta de Deus a todas as nossas orações? Em que consiste a experiência de que a nossa oração é escutada? Uma forma de experimentar que a nossa oração é escutada seria ver realizado aquilo que pedimos. Mas, na maioria dos casos, para não dizer em todos, parece que os acontecimentos decorrem do mesmo modo com ou sem oração.
E se a experiência da escuta não consistir numa mudança dos acontecimentos, mas numa mudança no orante? O simples facto de colocar as nossas necessidade nas mãos de Deus, o simples facto de dizer a Deus o quanto precisamos dele, é já um modo de nos situarmos de outra maneira perante a vida e as circunstâncias. Ao orar com fé colocamo-nos diante de Deus e, ao fazê-lo, confiamos que a morte não tem a última palavra. Porque, na realidade, o que pedimos a Deus, através do concreto e do urgente de uma determinada situação, é a salvação. É possível que a salvação esperada não se torne presente da maneira como a tínhamos pedido. Mas isso não impede que, ao pedir, confiemos no Deus da salvação, um Deus que só quer o bem para o ser humano. E, portanto, o pedir, quando se faz com fé, tem sempre implícito um «faça-se a tua vontade». Não se trata de uma fórmula de resignação, mas da confiança em que a vontade de Deus é o melhor que pode acontecer na nossa vida, embora às vezes não compreendamos as estranhas maneiras humanas em que essa vontade se manifesta.
Como muito bem escreveu Juan Martín Velasco, «a oração da fé transforma o horizonte da experiência em que se apresentava a situação de necessidade; esta ressitua-se num conjunto inteiramente novo, inclusive quando a mesma necessidade se mantém. E a sua inclusão no novo horizonte da esperança, da consolação, da confiança e da alegria, muda-a por completo, inclusive quando se mantêm as suas condições objetivas. Daí que se possa dizer que não há nenhuma oração que não seja atendida».  

© Martín Gelabert Ballester, OP
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 4.2.13 | Sem comentários
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