Quarta-feira de Cinzas —  13 de fevereiro —

Quaresma... — Começamos um tempo litúrgico forte: o ciclo Quaresma-Páscoa. Deve ser uma nova oportunidade para renovar a nossa fé comunitária, e pessoal, para continuar com mais fidelidade a nossa vocação de discípulos de Jesus e de comunicadores do seu Evangelho, hoje. O grande objetivo é que cada crente e a comunidade cristã vivamos na atitude pascal de Jesus Cristo, caminhando para a vida em plenitude que ele nos oferece através da doação pessoal, de atitudes de serviço e não de domínio, de perdão e de reconciliação e nunca de ódio ou de exclusão.

A Quaresma deste ano 

A nível eclesial há referências importantes que nos ajudam a dar um colorido próprio a esta Quaresma. O Ano da Fé recorda-nos que o caminho que fazemos toda a vida é o de deixar-nos iluminar por Jesus Cristo. O cinquentenário do II Concílio do Vaticano ajuda-nos a assinalar a primazia que a Palavra de Deus tem na comunidade e que teve na vida e decisões do próprio Jesus, como veremos no próximo domingo [primeiro domingo da Quaresma]. O sínodo sobre a evangelização, realizado há pouco mais de três meses, recorda-nos que existimos como Igreja para ser portadores de boas notícias para o mundo de hoje.
Tudo isto nos ajuda a situar a Quaresma também dentro do nosso momento social e histórico, que é onde temos de viver a fé de uma forma verdadeiramente incarnada. O nosso mundo está em crise, aumentam de forma galopante as situações pessoais e familiares de pobreza. Aos que têm o poder económico nas mãos parece que lhes importa pouco a fratura social ou o sofrimento dos mais débeis. No meio de tudo isto descobrimos luzes de comunidades e grupos que procuram e experimentam caminhos de solidariedade, de vida mais humana, de propostas que libertem da escravidão do consumismo e do ídolo do lucro à custa da miséria de uma grande parte da humanidade.

Cinzas

A celebração de hoje tem um elemento único, que é o sinal da cinza. Com ele destaca-se o momento penitencial, que hoje se realiza depois da Liturgia da Palavra. Há que aproveitá-lo em toda a potencialidade evangelizadora que contém. A Igreja inteira coloca-se em atitude de conversão porque estamos convencidos de que ainda não vivemos o Evangelho como seria necessário. As palavras que acompanham o gesto recordam a renovação do batismo na Vigília Pascal e são um programa de vida. «Converter-se» é dispor-se a renunciar a tudo o que nos impede de viver «acreditando no Evangelho». E temos de saber dar nome tanto às renúncias como à vida segunda os critérios evangélicos.
Não estamos «feitos» como cristãos, mas «vamos-nos fazendo» à medida que deixamos que o Espírito trabalhe em nós. Trata-se de um caminho tanto pessoal como comunitário, que nos ajude a renunciar a atitudes de poder para ser mais servidores, que nos liberte de pensar só em nós para aprender a ver e a tratar todos como irmãos. Durante a Quaresma poderemos continuar a concretizar esta atitude de conversão.

© Josep Roca (Misa dominical) — www.cpl.es
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
— a utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor —





Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.2.13 | Sem comentários
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