— Jesús Bastante — www.religiondigital.com —

«Obrigado a todos os que me acompanharam. 

Nunca me senti só» 


«Um Papa não está só no barco de Pedro e por isso quero agradecer a todos os que me acompanharam. Nunca me senti só». Bento XVI, visivelmente emocionado, acaba de se despedir dos fiéis, que massivamente encheram a praça de São Pedro para presenciar a última despedida. Uma despedida que não é uma fuga, pois como ele mesmo disse: «Não abandono a cruz». Mas «amar a Igreja significa também tomar decisões difíceis», como a da sua renúncia histórica. A primeira que pudemos viver em direto. 
«Quem conduz a barca é o Senhor», recordou o pontífice. Antes de começar a Audiência, Bento XVI deu um passeio no Papamóvel. A manhã era fria, embora solarenga, na praça de São Pedro. Dezenas de milhares de fiéis, preparados com câmaras e bandeiras de diversos países, aproximaram-se para se despedirem do Papa. 
Antes de descer do carro, Bento XVI abençoou várias crianças que lhe foram apresentadas pelo seu secretário pessoal, Georg Gaenswein. No altar improvisado, estavam quase todos os cardeais, que, a partir de amanhã às oito da tarde, serão os responsáveis pelo governo da Sede Vacante até à eleição do novo pontífice. Um deles, seguramente, será o 266.º sucessor de Pedro. 
Bento XVI, visivelmente emocionado, tinha vestido um casaco branco, e com cabeção, como sacerdote que continuará a ser. A primeira leitura foi do apóstolo Paulo aos Colossenses, lida pelos funcionários da Secretaria de Estado em diferentes idiomas. «Deus é generoso», assim concluiu a Carta. 
As suas palavras não foram desperdiçadas. «O Senhor deu-nos muitos dias de sol e de brisa ligeira, dias em que a pesca foi abundante, mas também momentos em que as águas estiveram muito agitadas e o vento contrário, como em toda a história da Igreja e o Senhor parecia dormir», afirmou o Papa, que disse sentir-se como São Pedro com os apóstolos na barca no lago da Galileia e que sempre soube que nessa barca está o Senhor. «Mas sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas sua e não a deixa afundar. É Ele quem a conduz, claro que através dos homens que escolheu. Esta é uma certeza que ninguém pode ofuscar e é por isso que o meu coração está cheio de agradecimento a Deus, porque não me faltou nem a toda a Igreja com o seu consolo, luz e amor», acrescentou. 
Bento XVI agradeceu o trabalho dos membros da Cúria, especialmente do seu Secretário de Estado, Tarcisio Bertone. «O Papa pertence a todos e quero agradecer aos que nestes dias me mandaram mensagens». E realçou que «Deus guia a sua Igreja, sobretudo nos caminhos difíceis». Apesar da sua renúncia, destacou: «não volto à vida privada. Não abandono a cruz». 
«Dei este passo consciente da sua gravidade e novidade. Amar a Igreja significa também tomar decisões difíceis», realçou o Pontífice, que, olhando para os milhares de fiéis congregados em São Pedro, sublinhou que «hoje vemos como a Igreja está viva, num momento em que muitos falam do seu declínio». 
Além disso, Bento XVI assegurou que renunciou ao papado «em plena liberdade», ao perceber que as suas forças diminuíram e não para seu bem particular, «mas para o bem da Igreja». «A barca da Igreja é sua [Jesus Cristo], é Ele quem a conduz, rodeado pelos homens que elege». «Ele conduz-nos e ama-nos», concluiu o pontífice, pedindo aos fiéis que rezem pelos cardeais, que têm a «difícil tarefa» de eleger o seu sucessor.

© Jesús Bastante — www.religiondigital.com
© Tradução de Laboratório da fé, 2013

— Síntese oficial da Audiência Geral > >>




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.2.13 | Sem comentários
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