No Natal, contemplámos o mistério do Filho de Deus que nasce «abandonado», recusado. E assim se anuncia o seu futuro e a sua missão. Neste tempo após o Natal, celebramos o batismo de Jesus, onde se manifesta esta realidade: Jesus aparece como um entre o povo; mistura-se com a multidão que segue o Batista, aquele asceta do deserto que traz uma voz que ressoa com força e proclama uma esperança para uma religião elitista e caduca, que põe a letra da Lei acima do ser humano. É uma voz que entusiasma, porque é a voz de um verdadeiro profeta. Um profeta que convida à esperança: vem o Messias e começa um tempo novo. Mas também convida à conversão: é preciso mudar, abandonar o legalismo, desinstalar-se, deitar fora o supérfluo, para viver a Boa Nova do Reino que se aproxima.
Jesus escutava João entre o povo simples: pecadores, pobres e doentes, homens e mulheres cansados, com esperança, mas carregados com o peso da vida, que saíam renovados pelas palavras do Batista. Jesus como todos eles também se quis batizar; não precisava, mas faz o mesmo que todos para carregar os pecados, os problemas, os cansaços daquela gente; quer partilhar os seus medos e esperanças, dores, alegrias e sonhos. Quer libertar as pessoas de tantos jugos com que tinham sido carregadas pelos responsáveis políticos e religiosos do seu tempo. Jesus entra então no Jordão para ser batizado por João; mas em Jesus entra a humanidade inteira, uma humanidade ferida e pecadora; e também uma humanidade crente e cheia de esperança pelo Reino que é inaugurado por Jesus de Nazaré. Ao sair da água, a voz do Pai manifesta que Jesus é o Filho amado, o Filho sobre o qual desce o Espírito para levar por diante a missão de Servo humilde, a missão que já tinha assumido aquando da Encarnação.

© Equipo «Eucaristía», Verbo Divino
© Tradução e adaptação de Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.1.13 | Sem comentários
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