— O que Deus exige de nós? —


Dia 1 — Caminhando em conversação


  • Génesis 11,1-9 — A história de Babel e o legado da nossa diversidade
  • Salmo 34,11-18 — “Vinde escutar-me! O convite de Deus à conversação
  • Atos 2, 1-12 — O derramamento do Espírito, o dom da compreensão
  • Lucas 24,13-25 — Conversa com Jesus Ressuscitado na estrada
Caminhar humildemente com Deus significa caminhar como pessoas que falam umas com as outras e com o Senhor, sempre atentas ao que ouvem. Por isso iniciamos nossa celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos refletindo sobre passagens da Escritura que falam da prática essencial da conversação. A conversação tem sido elemento central no movimento ecumênico, pois abre espaços para aprender uns com os outros, para partilhar o que temos em comum e para nossas diferenças serem ouvidas e atendidas. Desse modo se desenvolve uma compreensão mútua. Esses dons da busca pela unidade são parte do nosso chamado básico para responder ao que Deus exige de nós: através de uma conversa verdadeira, a justiça se faz e a bondade é aprendida. Experiências práticas de libertação no mundo inteiro deixam claro que o isolamento de pessoas que são forçadas a viver na pobreza é energicamente superado por práticas de diálogo. A leitura de hoje do Génesis e a história de Pentecostes mostram ambas algo dessa ação humana e de seu lugar no plano de libertação que Deus tem para o povo. A história da torre de Babel descreve primeiro como grandes coisas são possíveis quando não existe uma barreira de linguagem. No entanto, a história mostra que esse potencial é percebido como uma espécie de base para a auto promoção: “Conquistemos para nós um nome” é a motivação para a construção da grande obra. No fim, esse projeto leva a uma confusão de línguas; de aí em diante precisamos aprender o significado da nossa própria humanidade através de uma paciente atenção dedicada ao outro que é estranho para nós. É com o derramamento do Espírito Santo em Pentecostes que a compreensão no meio das diferenças se torna possível de maneira nova, pelo poder da ressurreição de Jesus. Agora somos convidados a partilhar o dom de falar e ouvir, orientado na direção do Senhor e na direção da liberdade. Somos chamados a caminhar no Espírito.
A experiência dos discípulos no caminho de Emaús é uma conversa acontecendo no contexto de uma viagem em conjunto, mas também de perda e desapontamento em relação à esperança. Como Igrejas vivendo em vários níveis de desunião e como sociedades divididas por preconceitos e medo do outro podemos nos reconhecer aí. No entanto, é precisamente aí que Jesus escolhe entrar na conversa - não se colocando no papel superior de professor, mas caminhando ao lado dos discípulos. O desejo dele de ser parte de nossas conversas e nossa resposta ao querer que ele permaneça e fale mais conosco é que nos possibilitam um encontro vívido com o Senhor Ressuscitado.
Todos os cristãos sabem algo desse encontro com Jesus e do poder de sua palavra “ardendo em nós”; essa experiência de ressurreição nos chama a uma mais profunda unidade em Cristo. A conversação constante, entre nós e com Jesus – mesmo dentro de nossa própria desorientação – nos conserva a caminho, juntos na direção da unidade.

Oração 

Jesus Cristo,
proclamamos com alegria a nossa identidade comum em ti,
e te agradecemos por nos convidares a um diálogo de amor contigo.
Abre os nossos corações
para participar mais perfeitamente de tua prece ao Pai para que sejamos um,
de modo que, caminhando juntos,
possamos nos aproximar sempre mais uns dos outros.
Dá-nos a coragem de dar testemunho da verdade juntos
e possa o nosso diálogo envolver mesmo aqueles que perpetuam a desunião.
Envia o teu Espírito para nos capacitar diante de situações de desafio
em que a dignidade e a compaixão estão ausentes em nossas sociedades, nações e no mundo.
Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amém.

Questões
Onde praticamos verdadeira conversação, no meio das variadas diferenças que nos separam?
A nossa conversação está orientada para algum grande projeto de nosso próprio interesse ou para a nova vida que traz esperança de ressurreição?
Com que pessoas conversamos e quem não está incluído em nossas conversações? Por que?

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.1.13 | Sem comentários
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