— palavra para o dia um de janeiro — Santa Maria, Mãe de Deus —


— Evangelho segundo Lucas 2, 16-21

Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração. Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno. 

— Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração

O evangelho apresenta-nos uma das afirmações mais surpreendentes sobre Maria: «Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os no seu coração». Uma atitude exemplar para os cristãos! É a constatação de Maria como mulher de vida interior, de silêncio, de reflexão, de contemplação. Neste «Ano da Fé», Maria ensina-nos que a fé tem de ser trabalhada na interioridade da pessoa. Como ela, somos convidados a viver a experiência da salvação na nossa vida, descobrindo dentro de nós a presença salvadora de Deus. 
O verbo «meditar» traduz o grego «symballein», um verbo que significa interpretar, fazer exegese. Assim, Maria continua a tradição dos sábios de Israel que recorriam à história passada para interpretar o presente. E é precisamente deste confronto entre o passado e o presente que emerge o verdadeiro significado dos acontecimentos. Aqui está um bom propósito para este novo ano: aprender a «conservar» os acontecimento e a «meditá-los» com o coração. 
Um dos maiores erros da nossa sociedade é o descuido com a interioridade. E sem este cultivo da interioridade nunca descobriremos a verdadeira felicidade! É no âmbito da interioridade onde se dá a descoberta da presença de Deus e a experiência do encontro transformador com Deus. Infelizmente, grande parte de nós tem medo ou descuida esta importância da interioridade. Por isso, precisamos de estar atentos e aprendermos a aprofundar a nossa interioridade como forma de plena realização pessoal, que para nós é o lugar da presença de Deus.
Nós, cristãs e cristãos, começamos sempre cada ano civil com quatro comemorações: o dia de ano novo, o oitavo dia de Natal, o Dia Mundial da Paz e a solenidade litúrgica em memória de Maria. Esta é a festa mais antiga que conhecemos dedicada a Maria! Mas esteve esquecida durante alguns séculos. Na reforma litúrgica do II Concílio do Vaticano, o Papa Paulo VI recuperou-a do esquecimento. É belo começar o ano olhando para Maria com o título de Mãe de Deus! 

A maternidade de Maria é um dogma, uma doutrina de fé definida em Éfeso, no ano 431. Este dogma foi definido para confirmar que o fruto do parto de Maria foi uma única pessoa: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Um bispo chamado Nestório dizia que existiam duas pessoas distintas em Jesus. Ao contrário, Cirilo proclamava uma só pessoa em Jesus; por isso, Maria é com pleno sentido mãe de Jesus, filho de Deus, é Mãe de Deus. Daqui nasceu a expressão «Theotokos» — que é referida em cânticos marianos — que literalmente quer dizer «aquela que dá à luz Deus». 
Maria torna presente o Deus incarnado, o Emanuel. Santo Agostinho diz que Maria é mãe de Deus, não pela relação biológica, mas por ter aceite o projeto de Deus. Nisto, Maria continua a ser modelo para todos os humanos. Todos temos de gerar Deus e todos temos de dar à luz Deus, como disse o mestre Eckhart. No mesmo sentido, os primeiros teólogos, chamados de «Padres da Igreja», diziam que a Igreja tinha de ser parteira, porque a sua missão era ajudar os seres humanos a dar à luz Deus.
Deus continua a incarnar em nós, a dar-se plenamente a todos e a cada um. Descobrir e experimentar este dom da presença de Deus em nós é a tarefa mais importante que podemos realizar ao longo da vida. Com Maria, podemos aprender a fazer este caminho de fé: descobrir a presença de Deus dentro de nós e em todos os acontecimentos da vida.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.1.13 | Sem comentários
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