Neste Advento, somos convidados a viver «entre o riso e um sorriso», sob o signo da alegria, da esperança e da fé. A fonte desta alegria é a presença, em nós, de Jesus Cristo, que é Emanuel, Deus connosco, que «encarnou pelo Espírito Santo». No Antigo Testamento, a alegria está baseada na promessa de uma salvação que vai chegar. Hoje, estamos em condições para dar mais um passo e descobrir que a salvação já chegou porque Deus já chegou. Não estamos alegres porque Deus está próximo, mas porque Deus já está em nós. Esta alegria é como a água de uma fonte: só a vemos quando aparece à superfície; mas antes percorreu um longo caminho através das entranhas da terra. Deixemos que a presença de Deus que nos habita venha «à superfície», se dê a conhecer num estilo de vida alegre e cheio de esperança.
Jesus convida-nos a descobrir o amor que é Deus presente dentro de nós e a agirmos em conformidade. Continuar a esperar a salvação de Deus é a melhor prova de que não a descobrimos dentro de nós e continuamos ansiosos pensando que nos vai chegar a partir de fora! Grande parte dos cristãos situa-se numa dinâmica religiosa absurda, sem sentido. Estão dispostos a fazer todos os sacrifícios e renúncias, contando que depois Deus lhes dê como prémio o cumprimento de todos os desejos pessoais. Fazem tudo para que Deus não tenha outro remédio senão dar a salvação que lhe pedem. Em nome da religião, até deram um preço a essa salvação: se fazes isto e deixas de fazer aquilo, tens assegurada a salvação. Ora, isto não tem nada a ver com o evangelho. A Incarnação de Jesus Cristo revela-nos um Deus que se humaniza, que se faz um de nós, que habita em nós, que vive em cada um de nós. Esta tem de ser a causa da nossa alegria. De facto, a alegria de que fala a liturgia de hoje não tem nada a ver com a ausência de problemas ou com a satisfação dos nossos desejos. A alegria não é o contrário da dor ou do sofrimento. Se penso que o fundamento da minha alegria está em obter tudo o que desejo, estou a entrar num beco sem saída. Porque provavelmente não vai ser assim como eu imagino ou quero. E depois fico desanimado ou até revoltado.

O que tens de fazer para viver sempre alegre? Não perguntes a ninguém o que tens de fazer. A tua meta tem de ser alcançar a tua plenitude. E não pode haver alegria quando nos sentimos constrangidos ou fazemos as coisas por obrigação, por medo ou até porque não temos alternativa... Isso é um ato de violência sobre nós próprios. A resposta que temos de dar à pergunta — o que tens de fazer para viver sempre alegre? — é muito simples: Partilhar. O quê? Como? Quando? Onde? Tenho que ser eu a descobrir. Não se trata de fazer isto ou deixar de fazer aquilo num determinado momento, mas de assumir um estilo de vida de atenção permanente à necessidade concreta do outro que precisa de mim. A partir de dentro jorra, em todas as direções, uma profunda humanidade. Assim viveu Jesus. É aí que encontraremos a alegria.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.12.12 | Sem comentários
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