— Meditação de 30 de dezembro de 2012 —
© Ateliers & Presses de Taizé, Communauté de Taizé, 71250 Taizé, France

A oração de ontem à noite, com o papa Bento XVI, ficará gravada nos nossos corações como uma luz que nos ajudará a avançar. Ofereci ao papa um pequeno sinal de esperança, que os jovens africanos nos tinham confiado na recente etapa da nossa peregrinação de confiança no Ruanda. Esse sinal era um cesto chamado «agaseke» com sementes de sorgo.
Os jovens africanos deram-nos também estes pequenos cestos para cada país da Europa e também um para cada um dos outros continentes. Vamo-los distribuir nesta noite para saudar os povos presentes no nosso encontro. Que esta semente de esperança floresça por todo o mundo!
Nós, os irmãos, fomos a Kigali como simples testemunhas do desejo da população ruandesa de reconstruir o seu país, e mais ainda como testemunhas da aspiração dos jovens cristãos africanos de preparar o futuro do seu continente. Os participantes vieram não apenas do Ruanda, mas de toda a região dos Grandes Lagos, da África Oriental e até de mais longe.
O Ruanda atravessou um grande sofrimento. A memórias das feridas continua viva. Contudo, o país reergue-se. Admiramos os que levam consigo compaixão e cura, por exemplo ao tomarem conta dos órfãos como se fossem seus próprios filhos.
Do Ruanda, retemos sobretudo o apelo à reconciliação. Ali, a Igreja quer contribuir para uma reconciliação em profundidade; não uma coexistência imposta, mas uma reconciliação dos corações.
Este é um apelo a todos nós, onde quer que vivamos: como reconciliar o que parece incompatível? Não estamos condenados à resignação ou à passividade, porque Cristo veio reconciliar o que parecia para sempre oposto. Na cruz, ele abriu os braços para todos. É ele a nossa paz! A reconciliação começa quando olhamos juntos para ele.
Depois de Kigali, com dois dos meus irmãos, fomos a Goma, no Kivu do Norte, mesmo na altura em que as perturbações recentes faziam chegar dezenas de milhar de pessoas deslocadas, que conheciam imensas provações, e frequentemente uma pobreza extrema.
Em Goma, em circunstâncias excepcionais, encontrámos artesãos da paz e testemunhas do amor. Por causa da sua fé, permaneciam de pé no meio do caos, do medo e do abandono. Guardamos a imagem de uma Igreja que permanece um lugar de acolhimento, mesmo quando nenhuma outra estrutura funciona.
Continuo fortemente impressionado pela vitalidade dos jovens cristãos em África. Este dinamismo é um encorajamento do Evangelho a permanecermos firmes na esperança. Quando plantarem os grãos de sorgo nos vossos diferentes países, recordem-se da esperança dos jovens africanos e de como ela vos apoia!
Depois de Kigali e de Roma, como vai continuar a nossa peregrinação de confiança? Quais serão as próximas etapas do nosso caminho rumo ao encontro para uma nova solidariedade em 2015, em Taizé?
Se este ano nos tornou-se particularmente atentos aos jovens africanos, o próximo ano permitir-nos-á ficar à escuta dos jovens asiáticos. Alguns de nós farão, em Outubro-Novembro, uma peregrinação de paz e de reconciliação por vários países, pela Coreia e pela Índia, e iremos também exprimir a nossa solidariedade em lugares que aspiram principalmente à justiça e à liberdade.
Depois, teremos o próximo Encontro Europeu, de 28 de Dezembro de 2013 a 1 de Janeiro de 2014. Terá lugar mesmo na fronteira entre dois países, numa cidade que é um símbolo da reconciliação na Europa, símbolo de uma Europa aberta e solidária. O Encontro Europeu terá lugar na cidade de Estrasburgo.

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 31.12.12 | Sem comentários
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