— A leitura no laboratório da fé —

— O Natal


M. I. Rupnik, «O Natal – com os mosaicos de M. I. Rupnik e do atelier do Centro Alleti». 
Ed. Apostolado da Oração, Braga 2011, 49 págs. PVP: 5, 00 euros

São diversas as possibilidades de uma boa leitura para este Natal: desde o livro de Bento XVI «A Infância de Jesus», até ao recentemente publicado livro de D. António Couto «Estação de Natal». No entanto, referiremos uma outra sugestão, para uma boa leitura e também para um bom presente. Publicado em 2011 pela editora do Apostolado da Oração (e com um preço extremamente interessante, dada a qualidade do álbum), encontramos em «O Natal» diversos mosaicos do jesuita esloveno Mark Rupnik, que esteve presente no passado mês de Maio no encontro «Fé e Arte» organizado pela Companhia de Jesus. Cada mosaico é acompanhado de uma breve e significativa reflexão sobre o Mistério do Natal, como Mistério no qual podemos encontrar a revelação quer do próprio Deus, quer do Ser Humano, em Jesus de Nazaré, o Filho. Aqui fica um dos mosaicos (no total são 12 mosaicos) com a respectiva reflexão. O livro termina com um artigo mais extenso sobre as origens da celebração do Natal na história da Igreja.

«Desde sempre o homem reconheceu na montanha o lugar da revelação de Deus. Além disso, para nós cristãos, o monte – o Calvário – é também o lugar da morte do Filho de Deus. A máxima revelação do amor de Deus, acontecida no Calvário, foi possível graças à sua Encarnação no seio de uma mulher, Maria de Nazaré. Com este cenário, o mosaico faz ver a mãe de Deus como o cume do monte graças ao qual Deus se revelou ao mundo.

Mas esta montanha encontra-se dentro de uma gruta, que é o símbolo do abismo, do vazio, das trevas, do pecado, da morte… A gruta é a «terra aberta» que acolhe a kenosis divina e anuncia a sua descida aos infernos depois da morte na cruz. Jesus nasce dentro de uma gruta escavada na montanha ou, vice-versa, sobre uma montanha que se eleva na gruta. Temos assim uma antinomia muito rica: nos abismos da Humanidade, onde o homem encontrou o nada e a morte como resultado do pecado, ali está a montanha suprema da revelação de Deus, que Se manifesta precisamente onde está o pecado do homem e a morte.

De facto, Deus desceu até ali e é aí mesmo que O podemos encontrar. Subir à montanha para encontrar Deus significa, paradoxalmente, descer ao abismo do próprio coração, onde reconhecemos a nossa miséria e encontramos a sua misericórdia. Apesar das nossas faltas, do pecado, do vazio, apesar da nossa inconsistência, encontramo-Lo, porque Ele desceu para carregar sobre Si o nosso mal e a nossa morte.Nós conhecemos Deus no facto de nos redimir e o perdão dos nossos pecados é a revelação mais segura de Deus, porque só Deus perdoa os pecados. O conhecimento de Deus funda-se na experiência da nossa redenção e o seu gosto permanece impresso em nós de modo inconfundível.» (na imagem: Natividade segundo Santo Inácio de Loiola, Capela da Residência dos Jesuitas São Pedro Canísio, Roma 2007)

Rui Pedro Vasconcelos
Livraria Fundamentos — www.fundamentos.pt

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.12.12 | Sem comentários
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