A catequese no Laboratório da fé


Na catequese, no tempo antes do Natal, o discurso e a ação evangélica tratam do Advento. Este ano os feriados ao sábado tiraram espaço para exortar o discurso habitual!
Esta situação levou a que com alguma imaginação se programasse numa única sessão de catequese uma concentração de vários objetivos: conhecer o tempo litúrgico do Advento, descobrir o verdadeiro Natal, e para cumprir calendário dos conteúdos catequéticos, conhecer a sequência e as etapas da liturgia da Palavra. Tudo numa sessão de catequese de uma hora!
Ainda bem que Deus menino não ficou indiferente a esta condensação de descomedidos propósitos. De modo que nos preparou uma surpresa, em forma de dúvida de fé, colocada sabiamente por uma das nossas crianças quando os catequistas começaram a desfiar o usual sermão desta quadra e nos ocupou o tempo todo!
Deus está à espreita, está mesmo à espera para nos revelar o seu grande amor por nós, homens e mulheres, e que perante as perguntas inesperadas saibamos comunicar, na nanolinguagem dos pequenos, a verdadeira mensagem e fazer das nossas crenças vacilantes as nanodúvidas, para deixar o menino Jesus habitar a história da salvação das nossas vidas.
Evangelizar é antes de mais educar. Não se trata de dar informação ou doutrinar, mas educar é a arte de fazer crescer pessoas, fazer adquirir a importância das boas relações uns com os outros e aprender a viver em forma de natal permanente: deixar Jesus encarnar no principal órgão e centro do nosso sistema nervoso que é o cérebro, no cerne da carne humana, no córtex cerebral. É aí que Jesus se torna íntimo e nos ensina o que é o infinito amor. Ensinar às crianças uma nova forma de existência sagrada em dependência corporal e sensorial com Jesus menino, num discurso eco-lógico que trate da totalidade e qua crie interação amável e cordial com o nosso próximo. Este é um desafio que gosto de colocar aos neurônios!
Mas o mais importante é educar as nossas crianças para o reconhecimento da nossa frágil humanidade, para que a incompetência, a distração, a auto-suficiência, o desânimo, a tristeza, a desatenção do essencial, o apego à materialidade ou a falta de disciplina sejam etapas declaradas, reconhecidas e agradecidas da nossa vida, pois elas são também a autobiografia de Deus: Jesus menino de coração e cérebro humano a desafiar a nossa humanidade através do nascimento no seio de uma mulher e a viver com riscos e a aprender a conquistar a liberdade da dependência de um Amor.

O presépio é uma narração de consolo para ultrapassar com bondade a nossa finitude. A pergunta que foi o motivo condutor da catequese é uma dúvida de fé que o Lucas tomou para si e que nós podemos colocar no nosso presépio ao Deus menino:
— Luísa, tens a certeza que Jesus nasce para os bandidos e para os bêbados?
— Sim Lucas, tenho a certeza…

nanoCredo para o Natal:
 …
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.

© Luísa Alvim, catequista de coisas invisíveis na terra visível
© Laboratório da fé, 2012



NanoCredo


Creio
em ti,
pai maternalamor poderoso,
criador do inútil e do imperfeito,
de todas as coisas nano e mínimas.

Creio no sorriso de Jesus nas crianças
Filho do mistério do amor
Pré-Natal desde sempre:
Deus em mim, Luz da Luz
Deus do imprestável de Deus dos cansaços;
Sem-abrigo, não acabado
Confiante ao Pai.
Por Ele tudo está inacabado.
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.




  • O nanoCredo publicado no Laboratório da fé [1] [2] [3] [4] 


Jesus e Maria na catequese




catequista de coisas invisíveis na terra visível


Luísa Alvim, mãe de 3 filhos, sonhadora do impossível, é catequista de coisas invisíveis na terra visível, na paróquia de S. Victor, em Braga. Técnica superior na área de Biblioteca e Documentação na Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, desde 1995. Atualmente trabalha na Casa de Camilo - Museu e Centro e Estudos. Licenciada em Filosofia, pós-graduada em Ciências Documentais, Mestre em Ciência da Informação, e Doutoranda em Ciência da Informação e membro integrado do Centro e Investigação CIDEHUS na Universidade de Évora.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé




Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.12.12 | Sem comentários
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