Colaboração de Luísa Alvim


O nanoCredo

  1. O nanoCredo é o credo dos pequenos, um credo em gestação, um credo que não incorpora o definitivo e que se constrói no amadurecimento da relação com Deus e com o viver do evangelho. Um credo cuja grandeza do seu dizer está na evidência da minha pequenez, que tal como as crianças se colocam na condição de aprendiz, eu me estabeleço em igualdade de principiante de Deus. > > >

  2. Deus está à espreita, está mesmo à espera para nos revelar o seu grande amor por nós, homens e mulheres, e que perante as perguntas inesperadas saibamos comunicar, na nanolinguagem dos pequenos, a verdadeira mensagem e fazer das nossas crenças vacilantes as nanodúvidas, para deixar o menino Jesus habitar a história da salvação das nossas vidas. > > >

  3. A maioria dos teólogos esqueceu as palavras de Jesus sobre as crianças. Pensam que a espiritualidade autêntica exige a capacidade de consciência e a compreensão de um sistema perfeito de crença entre todos os Credos dos concílios. [...] Desejava que os catequistas, os educadores da fé fossem abertos à vida divina como um presente imprevisível. > > >

  4. Acredito que é preferível utilizar na catequese uma linguagem sensível, por exemplo, a das metáforas das parábolas, para evitar que orientações doutrinais e muito sábias desabem e sejam mais tarde, na idade adulta, esquecidas ou postas em questão. Muitas crianças não têm o sentido espiritual porque não o suscitamos nelas, deixamos que a dimensão teológica e eclesial se sobreponha à grandeza espiritual. > > >

  5. A nanoLinguagem dos pequeninos, dos poetas e dos místicos é que nos pode conduzir ao espiritual. A linguagem da metáfora que permite a deslocação dos conteúdos doutrinários e crispados da liturgia que os catecismos institucionalizaram. A criança possui em si a qualidade de se tornar espiritual, está em gérmen e em nano. Cabe aos educadores da fé, aos pais e aos catequistas tornar possível o acesso ao espiritual. > > >

© Luísa Alvim, catequista de coisas invisíveis na terra visível
© Laboratório da fé, 2013



NanoCredo


Creio
em ti,
pai maternal
amor poderoso,
criador do inútil e do imperfeito,
de todas as coisas nano e mínimas.

Creio no sorriso de Jesus nas crianças
Filho do mistério do amor
Pré-Natal desde sempre:
Deus em mim, Luz da Luz
Deus do imprestável de Deus dos cansaços;
Sem-abrigo, não acabado
Confiante ao Pai.
Por Ele tudo está inacabado.
E por nós, frágeis corpos,
E para o nosso cérebro mais amplo que os céus.
E chegou ao íntimo pelo Espírito Santo,
no misterioso cérebro humano,
E se fez menino.

Também por nós foi desnudado sob o nosso desprezo
destruído
E foi lixo.
Ressuscitou como um jardineiro,
conforme a nanoPalavra;
E desceu aos infernos,
onde está sentado à direita do nada
de novo há-vir tocar-nos,
para amar os impotentes;
E a fome do pai não terá fim.


Creio no frágil,
Senhor que dá a diversidade,
nascido do vacilar e da certeza;
E com o silêncio é interrogado e duvidado:
ele que falou pelo vazio.





catequista de coisas invisíveis na terra visível


Luísa Alvim, mãe de 3 filhos, sonhadora do impossível, é catequista de coisas invisíveis na terra visível, na paróquia de S. Victor, em Braga. Técnica superior na área de Biblioteca e Documentação na Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, desde 1995. Atualmente trabalha na Casa de Camilo - Museu e Centro e Estudos. Licenciada em Filosofia, pós-graduada em Ciências Documentais, Mestre em Ciência da Informação, e Doutoranda em Ciência da Informação e membro integrado do Centro e Investigação CIDEHUS na Universidade de Évora.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 28.12.12 | Sem comentários
0 comentários:
Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
  • Recentes
  • Arquivo
  • Comentários