— Mensagem de Dom Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga — 

Entre o riso e um sorriso 


Creio em Deus Pai todo-poderoso 


O Advento bate-nos à porta! 
Porque vivemos o Ano da Fé, gostaria de centrar esta mensagem a partir de uma história de fé, retirada da família de Abraão, o nosso «pai na fé». Abraão e Sara, sua esposa estéril, encontravam-se já em idade avançada quando são surpreendidos por uma promessa de Deus: «daqui a um ano, Sara será mãe!» (Génesis 18, 10) Perante aquela profecia, Sara perdeu-se de riso por incredulidade (Génesis 18, 12), pois considerava o facto impossível. Todavia, o facto tornou-se realidade e o riso da descrença na promessa transforma-se agora num sorriso de confiança, pois «Deus faz-me sorrir e todos, os que souberem, podem sorrir comigo!» (Génesis 21, 6). Como consequência, o nome deste filho só poderia ser Isaac, que significa «Deus sorri». 
Neste sentido, o Advento apresenta-se como um tempo no qual somos desafiados a sorrir: a passar do riso da descrença ao sorriso da confiança na promessa da vinda do Messias, que habitará no meio de nós. Trata-se sobretudo de um exercício de fé em «Deus Pai todo-poderoso»! E para este exercício semanal, ao ritmo do evangelho, proponho a caminhada que o nosso Departamento de Animação Bíblica da Pastoral preparou para este tempo.
Mas quem é este Deus, que é Pai e todo-poderoso? Deus é Pai porque o seu Filho, que se fez homem, nos disse. Dessa paternidade comum emerge a fraternidade na diferença: todos somos irmãos e irmãs com a mesma dignidade. E Deus é todo-poderoso porque é o Amor Supremo. Ele ama tudo, até a nossa fragilidade, como no caso de Sara! O poder de Deus reside no Seu amor, que transforma a realidade através da mediação de uma resposta livre à sua proposta: a fé. Esta é o antídoto da idolatria, que tantos profetas outrora denunciaram, como nos recordará a liturgia da Palavra, e que tantos ícones sociais contemporâneos nos tentam impor diariamente. 
«A fé, precisamente porque é um ato da liberdade humana, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita» (Bento XVI, «A Porta da Fé», 10). Humanamente pode não haver muitas razões para sorrir, mas a nossa vigilância profética exige uma atenção especial aos irmãos desfigurados pela fatura social hodierna. A corresponsabilidade fraternal, como um dos rostos da fé, é assim um caminho que resgatará muitos da visão pessimista da vida.
Por último, um dos cantores que esteve presente no concerto de encerramento do Átrio dos Gentios tem uma música na qual se afirma: «Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco»! Por isso, peço às comunidades que sejam «profetas» do anúncio da chegada do Messias, que nos revelará a identidade do Deus que nos criou e nos ama. Que empreguem Deus nos mais variados parâmetros da sociabilidade humana, fazendo os outros «pensar um pouco». E que, como Sara, não descurem o sorriso da confiança, que é simplesmente o melhor testemunho que podemos dar de Deus. 
Uma boa caminhada de Advento para todos nós! 

Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga
23 de novembro de 2012



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.12.12 | Sem comentários
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