Saboreemos os textos bíblicos propostos para o Segundo Domingo de Advento (Ano A): poema de Isaías, cântico de esperança, exortação de Paulo, estímulo determinado de João Batista. A Liturgia da Palavra prepara os corações para o grande Acontecimento. Isaías não desiste de cantar e de afirmar a sua fé na promessa (primeira leitura): Deus faz tábua rasa de toda a espécie de mal; e faz renascer a vida. Um rei há de vir, um messias, filho de David. Deus dar-lhe-á a sua justiça (salmo). Será o salvador de todos. Tudo isto «foi escrito para nossa instrução, a fim de que […] tenhamos esperança» (segunda leitura). Abramos os nossos corações, preparemos o caminho do Senhor (evangelho)!



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.12.16 | Sem comentários

Entre nós, os dias diminuem, a luz é menos intensa, o frio aumenta, e, com tudo isto, até se ressente o nosso ânimo. Ora, a palavra de Deus provoca um autêntico sobressalto nesta melancolia! Início do ano litúrgico (Ano A), Primeiro Domingo de Advento, «caminhemos» (primeira leitura), «vamos com alegria» (salmo), «chegou a hora de nos levantarmos do sono» (segunda leitura), «vigiai» (evangelho)! O profeta Isaías toma-nos pela mão, para nos acompanhar nas quatro etapas em direção ao Natal. Hoje, quer reavivar a nossa esperança: a promessa vai realizar-se, a paz há de chegar a Jerusalém. É preciso, por isso, estar preparado para o dia da salvação, diz Paulo. E Jesus Cristo, o próprio, convida-nos a vigiar, a desejar a sua vinda ao nosso coração, à nossa vida.






Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.11.16 | Sem comentários
No ano pastoral 2016+17 vamos aprofundar a temática da fé contemplada, tendo Maria de Nazaré como modelo prioritário de fé e de contemplação. Para isso, começamos com uma característica essencial da fé contemplada: o silêncio. O Advento surge como oportunidade para encontrar «um tempo diferente», um tempo preenchido pelo silêncio. Em 2016, o tempo de Advento tem início no dia 27 de novembro (e prolonga-se até à manhã do dia 24 de dezembro).



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.11.16 | Sem comentários

CORAÇÃO DE MISERICÓRDIA


«O mês de Junho é tradicionalmente dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, máxima expressão humana do amor divino. [...] A piedade popular valoriza muito os símbolos, e o Coração de Jesus é o símbolo por excelência da misericórdia de Deus; mas não é um símbolo imaginário, é um símbolo real, que representa o centro, a fonte da qual brotou a salvação para a humanidade inteira» (Francisco, 9 de junho de 2013). A Bíblia mostra-nos que o «coração» não evoca apenas sentimentos, a dimensão afetiva da pessoa, mas remete também para outras dimensões e até para a totalidade do ser, a sua personalidade. E também na linguagem comum o coração está associado à fonte da vida e ao que caracteriza a essência da pessoa. É nesta perspetiva que queremos recentrar a tradicional proposta de associar o mês de junho ao Coração de Jesus: o «coração» é a síntese da pessoa de Jesus Cristo; por isso, a Igreja, através do Magistério dos Papas, apresenta esta espiritualidade como a «síntese da vida cristã».

Junho, Mês do Coração de Jesus

A história mostra-nos a importância que o culto popular ao Sagrado Coração de Jesus teve, durante séculos, na revelação da misericórdia divina. Depois de um tempo em que se desvaneceu e/ou se desvalorizou esta prática, a celebração do Ano Santo da Misericórdia é uma oportunidade para recuperar a sua frescura original.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.6.16 | Sem comentários

GERAR COMUNHÃO


A última parte do Ano Litúrgico (entre a segunda-feira a seguir ao Pentecostes e o sábado da trigésima quarta semana, o dia anterior ao primeiro domingo de Advento do novo ano litúrgico) retoma o «Tempo Comum» interrompido para dar lugar à Quaresma e Páscoa. É um (longo) período que nos sugere «valores que não se podem esquecer: ajuda-nos a ir vivendo o mistério de Cristo na sua totalidade; acompanha-nos na tarefa de crescimento e maturação de tudo o que celebrámos no Natal e na Páscoa; põe em evidência a primazia do domingo cristão; oferece-nos a escola permanente da Palavra bíblica; e faz-nos descobrir a graça do comum: a vida quotidiana vivida também como tempo da salvação» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas). Assim, em continuidade, valorizamos o convite a frequentar duas «escolas»: a «escola permanente da Palavra bíblica» através dos textos propostos para a primeira leitura de cada domingo; a escola «da vida quotidiana» que nos «faz descobrir a graça do comum».
Gerar comunhão: é a temática que propomos para a segunda parte do «Tempo Comum».

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© Laboratório da fé, 2016


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.5.16 | Sem comentários

MARIA, MÃE DE MISERICÓRDIA


A missão e a comunhão são dois dos cinco «aspetos fundamentais» que marcam a identidade do discípulo missionário (Documento de Aparecida, 278). A dinâmica de gestação que orienta o presente ano pastoral remete a missão para a Páscoa e a comunhão para a segunda parte do Tempo Comum. Ora, o mês de maio está na transição entre esses dois momentos: no dia 15, o Pentecostes encerra o tempo de Páscoa; no dia 16, recomeça o Tempo Comum. No itinerário pascal valorizamos a missão como ponto de partida, no qual o encontro com o Ressuscitado não pode ficar no silêncio, mas precisa de ser comunicado aos outros. Os (primeiros) discípulos experienciam a missão de anunciar a alegria do Evangelho. O versículo 14 do primeiro capítulo do livro dos Atos dos Apóstolos refere que os discípulos «perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais, Maria, mãe de Jesus». Com este testemunho pascal, o que nos impede de olhar para Maria como discípula missionária?

Maio, Mês de Maria: Mãe de Misericórdia

Maio, Mês de Maria: Mãe de Misericórdia Maio é o mês por excelência em que o nosso pensamento se volta para Maria. Com ela, podemos viver mais intensamente a nossa identidade de discípulos missionários da misericórdia.

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.5.16 | Sem comentários

PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA — ANO C


A Quaresma é o tempo da liberdade e da escolha, o tempo da conversão e do amor. A Liturgia da Palavra apresenta as escolhas necessárias para seguir no caminho para Deus, mas também fala da fidelidade e da bondade divinas. A prova está na profissão de fé de Moisés diante do povo (primeira leitura) e na confiança do salmista (salmo). Paulo insiste no fator decisivo da fé para a salvação (segunda leitura), deixando a cada um/a a liberdade da escolha. Mas é Jesus Cristo que, no deserto, nos mostra verdadeiramente como resistir às tentações, graças à palavra de Deus, e como escolher o caminho da vida (evangelho).

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 12.2.16 | Sem comentários

GERAR CONVERSÃO


Gerar conversão consiste em assumir a dinâmica de conversão em contexto de pastoral de gestação. Tal como a conversão, «a pastoral de gestação tem a ver com a identidade das pessoas. É um dos seus principais traços. […] A pastoral de gestação reconhece que cada um/a é único/a e visa promovê-lo/a naquilo que ele/a tem de mais pessoal. […] Só Deus pode ‘gerar’ alguém, levando-o a partilhar a sua vida. As questões que se levantam não são, portanto: Como é que a Igreja pode suscitar novos cristãos? Que estratégias pastorais convém desenvolver para ser mais eficaz? De maneira nenhuma. As interrogações são antes do tipo: Que se passa entre Deus e estes homens e estas mulheres que vivem na aurora do século XXI? Que caminhos toma Deus para chegar a eles e fazê-los nascer para a sua vida? De que modo é que Ele convida a Igreja a transformar a sua forma tradicional de crer e de viver para permitir o encontro?» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas).

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Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.2.16 | Sem comentários

GERAR FÉ


«Gerar. Este verbo evoca espontaneamente a ação do homem e da mulher que dão a vida: gerar, trazer ao mundo, educar, fazer crescer... Mas a criança, por sua vez, gera os seus pais, fazendo-os tornar-se pai e mãe. Reciprocidade de uma relação em que a vida circula» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas). Desta naturalidade biológica damos o salto imagético para a relação entre Deus e o ser humano. Esta também é (ou pode ser) uma verdadeira «experiência criadora». Neste sentido, «escutar a Palavra lendo a Escritura é uma obra de gestação». Aquele que lê/escuta a Palavra empenha-se com toda a sua vida, entra em diálogo com o texto bíblico, «interpela-o, gera-o para que se torne Palavra» na sua própria vida. E a própria Palavra «tornada viva, toca o ser humano contemporâneo na sua identidade e gera-o para um acréscimo de humanidade». Desta reciprocidade evidencia a «alegria do encontro entre Deus que se dá e o crente que se abre à sua presença».

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© Laboratório da fé, 2016



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 10.1.16 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA EPIFANIA


É Natal, plenamente Natal! Com a Epifania — palavra que significa «manifestação» — o Natal recebe toda a sua plenitude: «os gentios recebem a mesma herança» (segunda leitura). Jesus Cristo não veio à terra apenas para os cristãos, mas para todos os seres humanos, homens e mulheres, para todas as nações, ricas e pobres, como recorda a profecia de Isaías (primeira leitura). Tal é a amplitude do mistério, «uma grande paz até ao fim dos tempos» (salmo): maravilha da salvação oferecida aos que, na noite, sabem levantar os olhos para ver a estrela e decidem pôr-se a caminho (evangelho). Para eles (e para nós), «uma grande alegria»!

«A sua glória te ilumina»
A primeira leitura proposta para o domingo da Epifania, retirada do profeta Isaías, expressa o mistério do dia com uma espécie de pregão: «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. […] As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora». A luz como sinal de salvação volta a ser o tema dominante. Em estreita sintonia com esta palavra usam-se termos como resplandece, brilha, ilumina, esplendor, aurora.
A terceira parte do livro de Isaías («Terceiro Isaías») serve-se da imagem de Jerusalém, símbolo da presença de Deus, para afirmar que todos os povos hão de ir ao encontro da cidade, o mesmo é dizer, de Deus. Apesar de humilhada ao longo da história (um dos principais exemplos dessa humilhação foi a destruição levada a cabo por Nabucodonosor e o consequente exílio para a Babilónia), agora, com a presença de Deus, Jerusalém atrairá a si todos os povos, todas as religiões, todas as culturas, todas as pessoas. E trazem consigo os seus melhores dons. A cidade de Deus voltará a ser o orgulho dos povos e nela reinará a justiça e a paz; nunca mais haverá noite, pois será iluminada pelo próprio Deus: «A sua glória te ilumina».
No contexto litúrgico, o trecho exprime o sentido da festa: a universalidade da salvação. O centro não é propriamente a cidade em si mesma, mas o facto de nela se manifestar a presença de Deus. A luz de Deus é para todos!
As palavras do profeta, carregadas de esperança, convidam os seus ouvintes a levantar o ânimo e a experimentar a misericórdia de Deus. Hoje, a profecia converte-nos em testemunhas do movimento de Israel da escuridão para a luz; do desespero para a esperança; da consternação para o bem-estar; da violência para a paz; do ódio para o amor.

Neste Ano Santo, Deus quer fazer brilhar a luz da sua misericórdia em cada pessoa. E quer precisar da nossa colaboração comprometida e alegre. Assim, o Natal desafia-nos a gerar amor. Jesus Cristo é Deus connosco, é o amor de Deus presente na nossa carne. O Natal é a revelação da gratuidade e da misericórdia, do amor e da alegria do Evangelho. «Quando dizemos ‘é Natal’ estamos a dizer: Deus disse ao mundo a sua última, mais profunda e formosa palavra numa Palavra feita carne [...]. E esta Palavra significa: eu amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos» (Karl Rahner).

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.16 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

3 DE JANEIRO DE 2015


Evangelho segundo Mateus 2, 1-12

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.



Segunda, 28: QUEM SÃO OS MAGOS?

Curiosos personagens são estes «magos» (não necessariamente «reis»!), de quem sabemos apenas que vêm «do Oriente». Com eles, vou caminhar esta semana, e entrar num novo ano! A caminhada deles interpela-me: pagãos, são guiados até Cristo, de quem estamos a celebrar o nascimento. Hoje, quem são esses «outros crentes», vindos de outras tradições diferentes das cristãs, e que, pela sua procura, nos mostram que Jesus Cristo continua a atrair de todos os lados?



Terça, 29: NASCER, UM ACONTECIMENTO

Não é apenas o rei Herodes que fica «perturbado» ao ter conhecimento do nascimento do «rei dos judeus», mas «com ele, toda a cidade de Jerusalém». Dois reis, é demais! Como o simples nascimento dum ser humano pode mudar a face da terra... Senhor, faz com que também eu fique também perturbado pelo inacreditável acontecimento que, diariamente, se vive centenas de milhares de vezes no nosso mundo: o nascimento de novos seres humanos.



Quarta, 30: SABER, MAS PARA QUÊ?

Os príncipes dos sacerdotes e os escribas reunidos por Herodes esclarecem-no em pormenor. Contemplo essa pequena assembleia de gente sábia e diplomada: o seu conhecimento das Escrituras é perfeito. Mas continuam parados. O nascimento do rei dos judeus deixa-os indiferentes, a acreditar que preferem o conforto da sua procura científica que lhes oferece novidades da salvação. Senhor, de que me serve aprender?



Quinta, 31: TENHO A ESCOLHA...

Herodes «mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas». Já se prepara o ambiente de uma meticulosa conspiração. Também eu, sabendo que nasceu o pastor do meu povo, posso escolher alegrar-me com esta novidade ou deixar endurecer o meu coração. É uma escolha diária.



Sexta, 1: QUE ALEGRIA HÁ DE VIR?

Um novo ano se inicia: confiemo-lo à Virgem Maria, mãe do nosso Senhor. Como os Magos ao verem a estrela que os guia, não receemos sentir «uma grande alegria». O que é que, neste novo ano, me poderá fazer viver um sentimento com tal energia?



Sábado, 2: ADORAR?!

Por três vezes é mencionado o verbo adorar, sinal do respeito por... um bebé nascido numa manjedoura! Contemplo a cena e deixo-a pôr em questão as «adorações contemporâneas» das quais sou testemunha ou ator principal: as que são feitas às pessoas que admiramos porque ganham muito dinheiro ou feitas diante de objetos por elas apresentados para terem mais vendas. Também há as que se realizam pelos membros duma comunidade de serviço aos marginalizados da sociedade... Quais são as «adorações» que prefiro?



Domingo, 3: A SALVAÇÃO NÃO É UM MONOPÓLIO

Como diz Paulo aos Efésios (segunda leitura), «os gentios recebem a mesma herança». A Igreja, formada pelo povo dos batizados, da qual somos uma porção ao celebrar a eucaristia de domingo, não se pode compreender a si mesma se esquecer os que não fazem parte. Quaisquer que sejam as crenças dos Magos, são eles que nos indicam a atitude correta quanto à «herança»: prostram-se para adorar, gesto que Herodes é incapaz de fazer, apesar das suas palavras. Quer nos consideremos cristãos habituais, quer recentemente convertidos, não esqueçamos de nos deixar iluminar pelos que não estavam a priori «abrangidos» (porque ignorantes da história de Israel), pois são eles que nos revelam a eterna novidade de Jesus Cristo.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2015



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA


Em tempo de Natal, eis-nos convidados a contemplar a Sagrada Família que, diz a oração coleta, Deus nos dá como «modelo de vida». Somos desafiados a imitar a confiança de Maria e de José, a docilidade deles à Palavra, ao Espírito, aos «acontecimentos»: Maria«guardava todos estes acontecimentos em seu coração» (evangelho), como no dia do nascimento do Menino. Maria confia em Deus. Como Ana (primeira leitura), conta com o amor de Deus, um amor que gera vida. Elas ensinam-nos a acolher a graça e a cantar as maravilhas de Deus (salmo). Vivamos, portanto, como «filhos de Deus» (segunda leitura), testemunhas do seu amor.

«Seja consagrado ao Senhor»
Ana sentia-se desolada porque não tinha filhos. Pediu a Deus e o filho foi-lhe concedido, numa época em que o povo de Israel se encontrava absolutamente necessitado de um salvador e de um rei. Samuel, o filho que Deus concedeu a Ana, fará a ponte entre o passado (na época dos juízes, anterior à monarquia) e o futuro (centrado na pessoa e na descendência de David com as esperanças messiânicas que dele hão de derivar).
A primeira leitura proposta para a festa da Sagrada Família (Ano C), um texto retirado do Primeiro Livro de Samuel, centra-se na fidelidade de Ana, mãe de Samuel, e o cuidado amoroso que tem para com o seu filho, acolhido como dom de Deus. O importante do texto é o profundo sentido religioso dos protagonistas: a consciência de pertencerem a Deus e a confiança radical.
Assinale-se que, no fragmento do evangelho, a devoção a Deus por parte de Maria e de José manifesta-se numa peregrinação que fazem por altura da Páscoa. Contudo, o objetivo principal é proporcionar o contexto adequado para mostrar a verdadeira fidelidade de Jesus.
No caso de Ana, a fidelidade da mãe alimenta a fidelidade do filho. Samuel foi um dom dado por Deus a Ana; ela, em agradecimento, entrega de novo a Deus esse dom tão desejado: «eu o ofereço para que seja consagrado ao Senhor todos os dias da sua vida».
Num momento de necessidade na história do povo, Deus intervém. Neste caso, Samuel será a pessoa que terá de identificar e investir o salvador real escolhido por Deus: David.
A mãe, Ana, e o menino, Samuel, diante do mistério de Deus, que manifestou a sua generosidade no dom do filho, não podem fazer mais do que prostrar-se e adorar. Confiança e gratidão para com Deus são duas qualidades do crente de todos os tempos.

Instituída pelo papa Leão XIII (em 1893), inicialmente no terceiro domingo depois da Epifania, a festa da Sagrada Família acontece no domingo a seguir ao dia de Natal (ou no dia 30 de dezembro, quando o dia de Natal coincide com o domingo). A escolha da data ajuda a entender a festa no contexto do mistério da Incarnação. Também se pode associar a uma dupla perspetiva: a família formada por José, Maria e Jesus como «modelo de vida»; a família formada pela comunidade cristã como «modelo de fé». Numa e noutra, Jesus Cristo é nosso «irmão», acompanha-nos no amor ao Pai, ou melhor e primeiro, no deixarmo-nos amar pelo Pai.

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.12.15 | Sem comentários
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