CELEBRAR O DOMINGO DA EPIFANIA


É Natal, plenamente Natal! Com a Epifania — palavra que significa «manifestação» — o Natal recebe toda a sua plenitude: «os gentios recebem a mesma herança» (segunda leitura). Jesus Cristo não veio à terra apenas para os cristãos, mas para todos os seres humanos, homens e mulheres, para todas as nações, ricas e pobres, como recorda a profecia de Isaías (primeira leitura). Tal é a amplitude do mistério, «uma grande paz até ao fim dos tempos» (salmo): maravilha da salvação oferecida aos que, na noite, sabem levantar os olhos para ver a estrela e decidem pôr-se a caminho (evangelho). Para eles (e para nós), «uma grande alegria»!

«A sua glória te ilumina»
A primeira leitura proposta para o domingo da Epifania, retirada do profeta Isaías, expressa o mistério do dia com uma espécie de pregão: «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. […] As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora». A luz como sinal de salvação volta a ser o tema dominante. Em estreita sintonia com esta palavra usam-se termos como resplandece, brilha, ilumina, esplendor, aurora.
A terceira parte do livro de Isaías («Terceiro Isaías») serve-se da imagem de Jerusalém, símbolo da presença de Deus, para afirmar que todos os povos hão de ir ao encontro da cidade, o mesmo é dizer, de Deus. Apesar de humilhada ao longo da história (um dos principais exemplos dessa humilhação foi a destruição levada a cabo por Nabucodonosor e o consequente exílio para a Babilónia), agora, com a presença de Deus, Jerusalém atrairá a si todos os povos, todas as religiões, todas as culturas, todas as pessoas. E trazem consigo os seus melhores dons. A cidade de Deus voltará a ser o orgulho dos povos e nela reinará a justiça e a paz; nunca mais haverá noite, pois será iluminada pelo próprio Deus: «A sua glória te ilumina».
No contexto litúrgico, o trecho exprime o sentido da festa: a universalidade da salvação. O centro não é propriamente a cidade em si mesma, mas o facto de nela se manifestar a presença de Deus. A luz de Deus é para todos!
As palavras do profeta, carregadas de esperança, convidam os seus ouvintes a levantar o ânimo e a experimentar a misericórdia de Deus. Hoje, a profecia converte-nos em testemunhas do movimento de Israel da escuridão para a luz; do desespero para a esperança; da consternação para o bem-estar; da violência para a paz; do ódio para o amor.

Neste Ano Santo, Deus quer fazer brilhar a luz da sua misericórdia em cada pessoa. E quer precisar da nossa colaboração comprometida e alegre. Assim, o Natal desafia-nos a gerar amor. Jesus Cristo é Deus connosco, é o amor de Deus presente na nossa carne. O Natal é a revelação da gratuidade e da misericórdia, do amor e da alegria do Evangelho. «Quando dizemos ‘é Natal’ estamos a dizer: Deus disse ao mundo a sua última, mais profunda e formosa palavra numa Palavra feita carne [...]. E esta Palavra significa: eu amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos» (Karl Rahner).

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.1.16 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

3 DE JANEIRO DE 2015


Evangelho segundo Mateus 2, 1-12

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.



Segunda, 28: QUEM SÃO OS MAGOS?

Curiosos personagens são estes «magos» (não necessariamente «reis»!), de quem sabemos apenas que vêm «do Oriente». Com eles, vou caminhar esta semana, e entrar num novo ano! A caminhada deles interpela-me: pagãos, são guiados até Cristo, de quem estamos a celebrar o nascimento. Hoje, quem são esses «outros crentes», vindos de outras tradições diferentes das cristãs, e que, pela sua procura, nos mostram que Jesus Cristo continua a atrair de todos os lados?



Terça, 29: NASCER, UM ACONTECIMENTO

Não é apenas o rei Herodes que fica «perturbado» ao ter conhecimento do nascimento do «rei dos judeus», mas «com ele, toda a cidade de Jerusalém». Dois reis, é demais! Como o simples nascimento dum ser humano pode mudar a face da terra... Senhor, faz com que também eu fique também perturbado pelo inacreditável acontecimento que, diariamente, se vive centenas de milhares de vezes no nosso mundo: o nascimento de novos seres humanos.



Quarta, 30: SABER, MAS PARA QUÊ?

Os príncipes dos sacerdotes e os escribas reunidos por Herodes esclarecem-no em pormenor. Contemplo essa pequena assembleia de gente sábia e diplomada: o seu conhecimento das Escrituras é perfeito. Mas continuam parados. O nascimento do rei dos judeus deixa-os indiferentes, a acreditar que preferem o conforto da sua procura científica que lhes oferece novidades da salvação. Senhor, de que me serve aprender?



Quinta, 31: TENHO A ESCOLHA...

Herodes «mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas». Já se prepara o ambiente de uma meticulosa conspiração. Também eu, sabendo que nasceu o pastor do meu povo, posso escolher alegrar-me com esta novidade ou deixar endurecer o meu coração. É uma escolha diária.



Sexta, 1: QUE ALEGRIA HÁ DE VIR?

Um novo ano se inicia: confiemo-lo à Virgem Maria, mãe do nosso Senhor. Como os Magos ao verem a estrela que os guia, não receemos sentir «uma grande alegria». O que é que, neste novo ano, me poderá fazer viver um sentimento com tal energia?



Sábado, 2: ADORAR?!

Por três vezes é mencionado o verbo adorar, sinal do respeito por... um bebé nascido numa manjedoura! Contemplo a cena e deixo-a pôr em questão as «adorações contemporâneas» das quais sou testemunha ou ator principal: as que são feitas às pessoas que admiramos porque ganham muito dinheiro ou feitas diante de objetos por elas apresentados para terem mais vendas. Também há as que se realizam pelos membros duma comunidade de serviço aos marginalizados da sociedade... Quais são as «adorações» que prefiro?



Domingo, 3: A SALVAÇÃO NÃO É UM MONOPÓLIO

Como diz Paulo aos Efésios (segunda leitura), «os gentios recebem a mesma herança». A Igreja, formada pelo povo dos batizados, da qual somos uma porção ao celebrar a eucaristia de domingo, não se pode compreender a si mesma se esquecer os que não fazem parte. Quaisquer que sejam as crenças dos Magos, são eles que nos indicam a atitude correta quanto à «herança»: prostram-se para adorar, gesto que Herodes é incapaz de fazer, apesar das suas palavras. Quer nos consideremos cristãos habituais, quer recentemente convertidos, não esqueçamos de nos deixar iluminar pelos que não estavam a priori «abrangidos» (porque ignorantes da história de Israel), pois são eles que nos revelam a eterna novidade de Jesus Cristo.



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© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2015



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 27.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA


Em tempo de Natal, eis-nos convidados a contemplar a Sagrada Família que, diz a oração coleta, Deus nos dá como «modelo de vida». Somos desafiados a imitar a confiança de Maria e de José, a docilidade deles à Palavra, ao Espírito, aos «acontecimentos»: Maria«guardava todos estes acontecimentos em seu coração» (evangelho), como no dia do nascimento do Menino. Maria confia em Deus. Como Ana (primeira leitura), conta com o amor de Deus, um amor que gera vida. Elas ensinam-nos a acolher a graça e a cantar as maravilhas de Deus (salmo). Vivamos, portanto, como «filhos de Deus» (segunda leitura), testemunhas do seu amor.

«Seja consagrado ao Senhor»
Ana sentia-se desolada porque não tinha filhos. Pediu a Deus e o filho foi-lhe concedido, numa época em que o povo de Israel se encontrava absolutamente necessitado de um salvador e de um rei. Samuel, o filho que Deus concedeu a Ana, fará a ponte entre o passado (na época dos juízes, anterior à monarquia) e o futuro (centrado na pessoa e na descendência de David com as esperanças messiânicas que dele hão de derivar).
A primeira leitura proposta para a festa da Sagrada Família (Ano C), um texto retirado do Primeiro Livro de Samuel, centra-se na fidelidade de Ana, mãe de Samuel, e o cuidado amoroso que tem para com o seu filho, acolhido como dom de Deus. O importante do texto é o profundo sentido religioso dos protagonistas: a consciência de pertencerem a Deus e a confiança radical.
Assinale-se que, no fragmento do evangelho, a devoção a Deus por parte de Maria e de José manifesta-se numa peregrinação que fazem por altura da Páscoa. Contudo, o objetivo principal é proporcionar o contexto adequado para mostrar a verdadeira fidelidade de Jesus.
No caso de Ana, a fidelidade da mãe alimenta a fidelidade do filho. Samuel foi um dom dado por Deus a Ana; ela, em agradecimento, entrega de novo a Deus esse dom tão desejado: «eu o ofereço para que seja consagrado ao Senhor todos os dias da sua vida».
Num momento de necessidade na história do povo, Deus intervém. Neste caso, Samuel será a pessoa que terá de identificar e investir o salvador real escolhido por Deus: David.
A mãe, Ana, e o menino, Samuel, diante do mistério de Deus, que manifestou a sua generosidade no dom do filho, não podem fazer mais do que prostrar-se e adorar. Confiança e gratidão para com Deus são duas qualidades do crente de todos os tempos.

Instituída pelo papa Leão XIII (em 1893), inicialmente no terceiro domingo depois da Epifania, a festa da Sagrada Família acontece no domingo a seguir ao dia de Natal (ou no dia 30 de dezembro, quando o dia de Natal coincide com o domingo). A escolha da data ajuda a entender a festa no contexto do mistério da Incarnação. Também se pode associar a uma dupla perspetiva: a família formada por José, Maria e Jesus como «modelo de vida»; a família formada pela comunidade cristã como «modelo de fé». Numa e noutra, Jesus Cristo é nosso «irmão», acompanha-nos no amor ao Pai, ou melhor e primeiro, no deixarmo-nos amar pelo Pai.

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.12.15 | Sem comentários

GERAR AMOR


O Natal inverte o conceito de Deus e de Humanidade. O Deus omnipotente, imutável, eterno, imortal, invisível, converte-se num menino envolvido em panos e deitado numa manjedoura. Também se inverte a imagem da Humanidade, pois com o nascimento de Jesus Cristo fica confirmado que os valores supremos já não são a riqueza e o poder, mas a simplicidade, a pequenez, a beleza, a bondade e a ternura das crianças. A criança torna-se, assim, a referência mais importante, o modelo do Reino de Deus. Jesus Cristo identifica-se com as crianças e é a elas, aos pequeninos, a quem o Pai revela os mistérios do Reino. No Natal de Jesus Cristo antecipa-se a mensagem das bem-aventuranças, a mensagem da misericórdia. O Menino não só nos revela o rosto misericordioso do Pai, como também nos revela o rosto misericordioso do ser humano, humaniza-nos: mostra-nos como ser realmente irmãos e irmãs, como ser pessoas humanas, como ser filhos e filhas de Deus, como, na nossa vida, gerar amor.

Natal: gerar amor

Natal é irrupção do amor, da novidade, do diferente, do alternativo: Deus faz-se criança e as crianças tornam-se o centro da história! E esta novidade é tão forte que irradia a sua luz em toda a parte, até na celebração pagã do solstício de inverno. A Igreja primitiva cristianizou a data pagã do dia 25 de dezembro que era a festa do solstício de inverno: transformou a celebração do sol, estrela, luz do mundo, na celebração do Sol, Jesus Cristo, Luz do mundo. A luz da promessa transforma-se em luz da presença: «um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado».
Jesus Cristo é Deus connosco, é o amor de Deus presente na nossa carne. O Natal é a revelação da gratuidade e da misericórdia, do amor e da alegria do Evangelho. «Quando dizemos ‘é Natal’ estamos a dizer: Deus disse ao mundo a sua última, mais profunda e formosa palavra numa Palavra feita carne [...]. E esta Palavra significa: eu amo-vos, a ti, mundo, e a vós, seres humanos» (Karl Rahner). A espiritualidade de gestação, neste contexto, favorece a descoberta do «admirável amor» de Deus manifestado e oferecido em Jesus Cristo. De facto, a dinâmica da gestação desafia a suscitar amor, a proporcionar as condições necessárias para gerar amor em cada vida humana, em cada um de nós. Não há dúvida da importância fulcral do amor na vida humana. «Existimos porque temos um instinto amoroso, que é inexplicável. É este gesto amoroso que funda o humano» (Gonçalo M. Tavares). Gerar vida é também gerar amor. 
Nos passos de Jesus Cristo, o cristão, discípulo missionário, «está seguro do amor e da ternura de seu Pai e, para Ele, essa ternura é a única capaz de libertar os seres humanos, de fazê-los nascer para o amor. Ler o Evangelho com esses olhos permite descobrir como Jesus não autoriza a fuga do coração, da afetividade, das relações, da condição humana» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas). Feliz tempo de Natal que nos é dado como oportunidade para gerar amor. Nas famílias que acolhem um novo nascimento, contemplemos o amor gerado pela possibilidade de abraçar e acariciar o recém-nascido. Nas famílias que celebram momentos festivos, contemplemos o amor gerado pela alegria do encontro. Há tantas (outras) circunstâncias simples da vida que podem gerar amor!

Laboratório da Fé anunciada

Debrucemo-nos sobre o presépio que desde o tempo de Francisco de Assis surge nos templos e nas casas: um menino nasce no lugar onde se guardavam os animais; os seus pais envolvem-no em panos e deitam-no numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. O nascimento deste menino é anunciado aos pastores que pertenciam às «periferias» da sociedade. Mas este menino é proclamado Salvador e Senhor, é Deus connosco. Ele está no meio de nós, habita em nós. Ele vem ao nosso encontro: «quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada» (Francisco, Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual — «Evangelii Gaudium» [EG], 3). Em consequência, este encontro com os «braços abertos» do menino no presépio gera o amor que nos impele ao anúncio. Na verdade, «se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo» (EG 120). O encontro com Jesus Cristo faz gerar amor e fé anunciada!

© Laboratório da fé, 2015



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DIA DE NATAL


Na manhã deste dia, nada fica na mesma: ele corre, o mensageiro da boa nova (primeira leitura), Deus está no meio de nós! É inaudito, inacreditável, como se costuma dizer… Mas sim, hoje, «Deus falou-nos por seu Filho» (segunda leitura), nasceu na nossa humanidade, o «Verbo fez-se carne» (evangelho), luz nas nossas trevas, Filho Primogénito que nos vem dar a conhecer o rosto misericordioso do Pai… Não há palavras suficientes para explicar o mistério. Como dizer a nossa alegria? Como expressar o nosso agradecimento? «Adorem-no todos os Anjos de Deus». E nós? Cantai, aclamai, exultai de alegria, «cantai ai Senhor um cântico novo» (salmo). É Natal: a nossa alegria exprima a nossa fé!

«Traz a boa nova»
No texto proposto para primeira leitura da «Missa do dia» de Natal, o poeta/profeta anuncia o «evangelho» aos exilados. Há um mensageiro que atravessa o deserto com a primeira notícia do resultado da batalha entre Deus e os poderes do Império. O mensageiro traz o evangelho, «traz a boa nova». E qual é essa boa nova? «O teu Deus é Rei». Este facto traz uma vida nova à cidade de Sião, Jerusalém. E até são «belos» os pés do mensageiro, apesar de atravessar os montes.
As sentinelas, debruçadas sobre os muros de Jerusalém destruída, gritam com alegria o que estão a ver: o regresso de Deus. Pelos verbos usados, facilmente se percebe que se trata de uma boa notícia. Gritam de alegria, porque vai acabar o exílio a que tinham sido submitos pelo império babilónico (ao longo de mais de cinquenta anos). Por isso, as sentinelas cantam e dançam de alegria. Até as «ruínas de Jerusalém» são convidadas a exultar de alegria, «porque o Senhor consola o seu povo».Não se trata duma atitude resignada, mas uma intervenção ativa que muda as circunstâncias da comunidade.
Deus «resgata Jerusalém»: a cidade e o povo são objeto privilegiado do amor divino e, por isso, podem viver em liberdade. Ao ver a força do poder de Deus («o seu santo braço»), os impérios inimigos mudarão as suas políticas desumanizadoras. O «nosso Deus» é um Deus que liberta e salva. Compreender isto é, sem dúvida, uma boa nova.

As palavras do «Segundo Isaías» têm um eco especial no nosso coração. O profeta convida a não ceder face à situação de derrota supostamente evidente. Não é salutar promover qualquer tipo de rancor e/ou desilusão. É verdade que o povo se sente abandonado, afastado da sua terra. Mas há sempre uma réstia de esperança! Eis que as promessas messiânicas alcançam o seu cumprimento. Haverá maior alegria?! Não é caso para menos. O anúncio da intervenção salvadora de Deus, em Jerusalém, é antecipação e figura da intervenção definitiva de Deus, em Belém, no nascimento do seu Filho. É um nascimento salvador, que rompe todas as fronteiras, que «traz a boa nova» a todos os desconsolados e cansados deste mundo. Hoje, aos que levantam questões que lhes parecem não ter resposta, é necessário que os cristãos levem a boa nova, sejam discípulos missionários da alegria do Evangelho. Deus está no meio de nós!

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.12.15 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

27 DE DEZEMBRO DE 2015


Evangelho segundo Lucas 2, 41-52

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.



Segunda, 21: UMA FAMÍLIA NORMAL

«Como era costume», José levou a sua família a Jerusalém, para festejar os 12 anos de Jesus. No início do relato do evangelho, a «sagrada família», cuja festa celebramos no próximo domingo, parece totalmente normal, ela que segue as leis e os costumes do seu povo. É esta mesma família normal que toma o caminho de Belém para se recensear, na altura em que Maria está grávida de nove meses. Hoje, posso contemplar Jesus a subir a Jerusalém com a sua família, misturado anonimamente entre a multidão de peregrinos.



Terça, 22: NEGLIGÊNCIA PARENTAL

Subitamente, estala o quadro perfeito da família modelo: Maria e José fazem prova de uma terrível negligência: esqueceram-se de Jesus em Jerusalém! Não será esta negligência um sinal da confiança dos filhos de Deus? É essa mesma confiança na provação que anima Maria e José, quando tomam o caminho de Belém. Conforme a minha disposição, posso meditar sobre a negligência destes pais que tanto veneramos... ou sobre a confiança que os habita!



Quarta, 23: PÁNICO A BORDO

Quando se apercebem que Jesus não ia na caravana, os seus pais dirigem-se para Jerusalém à procura dele. Imaginamos a tensão que vivem aquando da censura de Maria ao seu filho. Essa tensão, Maria e José já a tinham sentido na estrada de Belém, entregues às circunstâncias do caminho. Posso fazer memória de acontecimentos similares que já vivi como pai/mãe... ou como crente.



Quinta, 24: ADMIRÁVEL CONVERSAÇÃO!

Jesus está sentado no meio dos doutores da lei, nem mais! Eles «estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas». Eis Jesus, já autónomo, preparado para levantar voo! Que caminho percorrido, após o seu nascimento em Belém, que celebramos esta noite! Hoje, posso preparar-me para acolher Jesus que dá a Vida, ou fazer memória do meu próprio percurso.



Sexta, 25: ILUSTRE DESCONHECIDO

«Seus pais ficaram admirados». Felizes pais, que não deixam de ficar admirados com os seus filhos! Jesus permanece um desconhecido para cada um de nós. Mas está tão próximo! O nascimento de Jesus foi também o de um desconhecido, salvo pelos Céus que cantaram a sua glória e pelos pastores que sabem escutar! Hoje, posso-me deixar levar pela alegria celeste ou contemplar a minha família e os que estão próximos, que conheço tão pouco.



Sábado, 26: TESTEMUNHO

Há muitas maneiras de testemunhar: elucidando os doutores da Lei, guardando «todos estes acontecimentos em seu coração», como Maria, continuando simplesmente a crescer, como Jesus, em Nazaré... ou dando a vida, como Estêvão, o primeiro mártir, que hoje celebramos. Hoje, posso interrogar-me sobre a minha própria maneira de testemunhar a minha pertença à sagrada família dos filhos de Deus!



Domingo, 27: A GLÓRIA DO MEU PAI

Então, o que é que faz sagrada (santa) esta família que hoje proclamamos e celebramos? É sagrada porque segue os costumes do seu povo, porque educou Jesus a ponto de ser capaz de falar com os doutores da Lei, ou porque respeitou o caminho próprio de Jesus, permitindo-lhe encontrar a sua maneira específica de testemunhar quem é o que vive? É talvez por todas estas razões, ao mesmo tempo. E também porque, na provação, os seus membros souberam encontrar a confiança e as palavras que lhes permitiram percorrer, juntos, o caminho da vida. A esta santidade todos somos chamados, qualquer que seja o nosso estado de vida! É isto, na verdade, que celebra a glória do nosso Pai.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO QUARTO DE ADVENTO


A poucos dias do Natal, a Sagrada Escritura faz-nos saborear a visita de Deus. As coisas começam a ficar mais claras. O profeta do quarto domingo de Advento (Ano C), Miqueias, anuncia uma nova «reconstrução» após a ruína de Jerusalém. Agora, essa «reconstrução» surgirá a partir de Belém, graças ao aparecimento de um rei justo e pacificador (primeira leitura). O salmista convida a suplicar por esse rei, esse pastor, o próprio Deus: «Vinde em nosso auxílio»! Jesus Cristo incarna esse Deus Salvador: oferece-se ao Pai para cumprir a sua vontade (segunda leitura). Ele convida-nos a assumir a mesma disponibilidade. Maria é disso um exemplo: acolhe a Palavra e acredita no seu cumprimento (evangelho). Hoje, pela boca de Isabel, somos agraciados com a alegria da salvação.

«Altura em que der à luz aquela que há de ser mãe»
O Deus de Israel surpreende sempre: quanto tudo parece perdido, ou é simplesmente insignificante e marginal, Deus intervém e altera a realidade. Deus está sempre disposto a afugentar o pessimismo e a oferecer uma vida nova.
Os capítulos quinto e sexto do livro de Miqueias são, seguramente, posteriores à destruição de Jerusalém, no ano 587 antes de Cristo. Depois da devastação provocado pelos exércitos inimigos, pouca coisa se podia esperar do futuro do povo de Deus. Não parecia sequer possível que pudesse haver realmente uma nova manhã.
Contudo, a voz do profeta anuncia que a pequena cidade de Belém, casa ancestral da família de David, dará ainda outro personagem para a salvação do povo. Repete-se aqui a teologia do pequeno, do último, que, com frequência, aparece nos textos bíblicos.
A visita de Deus será inesperada e cheia de paradoxos: «As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos»; o presente está carregado de medo e de incerteza, mas há uma promessa de paz: «Ele será a paz». A paz é dom escatológico de Deus ao seu povo.
A profecia anunciada por Miqueias é a de um novo rei que libertará o povo de Deus da opressão: o nascimento de uma criança será o sinal do fim da escravidão do povo. Quando chegar a «altura em que der à luz aquela que há de ser mãe», os que estavam perdidos e dispersos serão reunidos na comunidade de fé e viverão em segurança.
Assinala-se que o novo rei da casa de David será um «pastor» cuja missão lhe é confiada «pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus».

As primeiras leituras dos domingos de Advento apresentam textos proféticos sobre a promessa da «visita» de Deus: «Farei germinar um rebento» (primeiro domingo); «Deus conduzirá Israel, na alegria… com a misericórdia» (segundo); «Deus está no meio de ti» (terceiro). Na proximidade do Natal, o Lecionário oferece um anúncio de Miqueias dirigido à cidade de «Belém-Efratá» (terra natal de David), uma pequena cidade que se tornará central no processo de «reconstrução» do povo. Aproxima-se o tempo do germinar do «rebento», essa «altura em que der à luz aquela que há de ser mãe». No Natal e Epifania será (melhor) esclarecida a profecia.

© Laboratório da fé, 2015



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.12.15 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

20 DE DEZEMBRO DE 2015


Evangelho segundo Lucas 1, 39-45

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».



Segunda, 14: MILAGRES NA VIDA

Após o encontro com o anjo, Maria pôs-se a caminho. Ela vai ao encontro de Isabel que, segundo o anjo, está grávida, embora fosse chamada estéril. «Nada é impossível a Deus», para estas mulheres. E para mim? Este relato pode ser ocasião para me lembrar dos momentos em que senti a ação benevolente de Deus. É certo que as dificuldades, com frequência, ensombram o meu olhar sobre a existência e os nossos ritmos frenéticos não ajudam a ver os pequenos milagres do quotidiano. Por isso, hoje, decido fazer uma pausa com o Senhor para contemplar os sinais da sua presença.



Terça, 15: UMA MULHER A CAMINHO

Tento imaginar o caminho percorrido por Maria, bem como os pensamentos que a habitam. A sua vida foi sacudida e vai passar por muitas emoções: alegria, tristeza, inquietude... Neste caminho, ela está só ou acompanhada? Quando tempo demora?... Sabemos, apenas, que se encontra num percurso pela montanha e que vai apressada. Apressada para partilhar a sua inacreditável situação e seguramente impaciente para descobrir o que aconteceu à sua prima. Dou graças ao Senhor por Maria, «a primeira a caminho» e inspiração para a nossa fé.



Quarta, 16: MOMENTO MÁGICO

Maria entra na casa de Zacarias e saúda Isabel. Ela parece entrar num espaço familiar e conhecido. Mas eis que sucede o inaudito: «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio». Dedico algum tempo a contemplar estas duas mulheres grávidas que pintores como Arcabas tiveram o prazer de representar. Um momento de tal modo mágico e único que Isabel entra num estado de absoluto louvor: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre». Faço minha esta ação de graças.



Quinta, 17: EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL

O efeito do encontro é imediato: «Isabel ficou cheia do Espírito Santo». O Espírito Santo não a faz apenas mergulhar num ato louvor, mas também lhe dá a capacidade de compreender o que está prestes a acontecer. Que graça! Isto faz pensar nas palavras de Santa Teresa de Ávila: «Quando Deus nos dá uma graça, na realidade dá três: a graça propriamente dita, a graça de perceber que se recebeu e a graça de a comunicar». Isabel está cheia de inteligência espiritual. Peço ao Senhor que me ilumine sobre as graças deste dia e me dê a capacidade de as testemunhar.



Sexta, 18: ESPÍRITO DE ALEGRIA

Isabel é a primeira a reconhecer em Maria a mãe do seu Senhor. A sua profissão de fé tal como a sua extrema alegria são claramente frutos do Espírito. Esta ligação entre o Espírito e a profunda alegria encontra-se em vários lugares do evangelho de Lucas, dos quais um deles é bastante sintomático: quando Jesus bendiz o Pai por se revelar aos pequeninos. Agradeço ao Senhor por ser um Deus sempre do lado dos pequenos. E confio-lhe todos os «pequenos» que conheço e que têm necessidade do meu apoio.



Sábado, 19: LOUVOR CONTAGIOSO

O nosso relato não inclui o cântico do Magnificat, que é a resposta de Maria ao grito de ação de graças de Isabel. Contudo, posso deixar ecoar uma ou outra palavra: «Santo é o seu nome; a sua misericórdia estende-se de geração em geração; exalta os humildes»... O rosto de Deus aqui apresentado é um apoio nos momentos de desânimo, quando consinto a sua vinda à minha vida. Peço a graça de lhe não oferecer resistência.



Domingo, 20: ENTRAR NA CASA DE DEUS

Maria entre em casa de Zacarias e deixa-se tocar pelo acolhimento de Isabel. É de hospitalidade e de casa que trata o nosso relato. Uma ajuda: em hebraico, Isabel significa «casa de Deus». E se Maria é a casa de Deus por excelência, Isabel acolhe dentro de si aquele que vai preparar os caminhos; e é um convite a cada um a acolher Deus em nós e nos outros. Termino este itinerário dando graças a Deus pelo caminho da Incarnação, que Deus escolhe fazer contando connosco, optando por passar pelo ventre de uma mulher. Peço a graça de crescer em familiaridade com Jesus e com a sua mãe, certo da sua intercessão e da sua força para iniciar o meu caminho.



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© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO TERCEIRO DE ADVENTO


Domingo da Alegria («Gaudete»), este terceiro de Advento (Ano C), assim designado a partir da antífona de entrada («Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto») e do convite de Paulo (segunda leitura). Não temos de testemunhar a alegria causada pelo amor de Deus por nós? Hesitaremos em cantar e em proclamar a nossa confiança em Deus que nos salva (salmo)? Desde o início do Advento que ouvimos os profetas esforçados em fazer renascer a confiança do povo nos momentos de provação. Hoje é Sofonias que interpela e desperta a fé de Israel (primeira leitura). Vivamos com alegria e em paz, pois pelo batismo somos mergulhados no amor de Deus (evangelho).

«Deus está no meio de ti»
A alegria é talvez emoção mais agradável na vida humana. A alegria é um sinal que expressa a concretização das esperanças mais profundas e o desaparecimento dos medos. A alegria é ainda mais exultante quando resulta de algo completamente inesperado, quando irrompe de surpresa nas rotinas da vida. O texto da primeira leitura refere-se a este tipo de júbilo.
O livro de Sofonias, em termos gerais, apresenta um panorama demasiado sombrio: «Um dia de ira, aquele dia, dia de angústia e tribulação, dia de destruição e devastação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de névoas espessas» (capítulo 1, versículo 15). No meio deste panorama tenebroso, enche de júbilo ler o fragmento proposto na primeira leitura deste domingo em que aparece repetidamente o convite à alegria: «clama jubilosamente… solta brados de alegria… exulta, rejubila». Até Deus «exulta de alegria».
É (quase) certo que se trata de um trecho que, no tempo pós-exílio, foi incorporado no pequeno livro de Sofonias, profeta que viveu na época de Josias (nos finais do século sétimo antes de Cristo).
Importa ter em conta que as raízes desta alegria não provêm de uma hipotética ação do povo, mas da graça e da benevolência divinas: o mesmo Deus que tinha julgado Israel, agora «Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa». Na verdade, Deus revogou a sentença, afastou os inimigos, vive no meio do povo. Este é o maior motivo de júbilo e de festa: «Deus está no meio de ti».

O Advento convida a gerar a vida de Deus em nós, a criar as condições para que possa nascer em nós Jesus Cristo. Ele é o Deus connosco, «Deus está no meio de ti». O cristão, discípulo missionário, «sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele» (EG 266). Que a sua presença nos dê confiança e alegria!
Neste domingo, o Papa e os bispos abrem a Porta Santa nas Catedrais. É um dos momentos iniciais do Ano Santo da Misericórdia. Eis mais um motivo de alegria: Deus é misercordioso. «Que os anos futuros sejam permeados de misericórdia para ir ao encontro de todas as pessoas levando-lhes a bondade e a ternura de Deus! A todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós» (MV 5).

© Laboratório da fé, 2015



Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 9.12.15 | Sem comentários

ORAÇÃO DIÁRIA A PARTIR DO EVANGELHO

13 DE DEZEMBRO DE 2015


Evangelho segundo Lucas 3, 10-18

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Batista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem batizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».



Segunda, 7: O SUCESSO DO BATISTA

As palavras de Isaías, que João Batista citou no evangelho ontem proclamado, ainda ecoam no meu coração. Continuo a contemplar João, esse anti-mundano perante o qual se apresentam «as multidões». João Batista é o que, hoje, chamamos, com condescendência, um excêntrico, mas ele é habitado por uma força interior que o coloca totalmente voltado para Aquele que vem. O seu «sucesso» não provém da provocação fácil, mas da interpelação profunda. Quem são os João Batista da minha vida: um parente? Um artista? Um vizinho?



Terça, 8: IMACULADA

...



Quarta, 9: QUE FAZER?

«Que devemos fazer?». Esta questão, na proximidade da vinda do Messias, preocupe cada um de nós, quer a vida seja reta, tortuosa, ou um pouco vergonhosa... Santo Inácio colocou-a também a si mesmo, particularmente quando compreendeu que não deveria permanecer na Terra Santa, embora o desejasse. E, nos seus Exercícios Espirituais, convida o participante a interrogar-se contemplando Jesus Cristo na cruz: «que devo fazer?». Respondo à questão, procurando perceber num único olhar a unidade de toda a minha vida, nas suas mais diversas facetas (afetiva, profissional, eclesial...): que devo fazer, agora?



Quinta, 10: JUSTIÇA, JUSTEZA?

João Batista é um profeta concreto, prático. As suas respostas são claras, não têm nada de ambíguo: a paz nas relações, o sentido da partilha e, aspeto interessante, contentar-se com o que é devido. Na proximidade do Natal, as lojas transbordam de mercadorias. E se, querendo justiça, nós nos perguntarmos se isso está ligado à justeza?



Sexta, 11: EXPECTATIVA: ESPERA ATIVA

.«O povo estava na expectativa», diz-se no meio do evangelho. Agradável atitude de expectativa, não a que nos torna passivos, mas, ao contrário, nos dispõe a uma vigilância atenta ao que se passa. Durante o Advento, o Senhor já está connosco. Que expectativas me mantêm vigilante, hoje? O que é que estou a preparar: Um reconhecimento profissional? Uma relação mais profunda com um amigo? Um nascimento?



Sábado, 12: A COLHEITA DO SENHOR

Tão precisas como as recomendações feitas às multidões são as metáforas agrícolas que sugerem a ação aquando da vinda de Jesus Cristo. Eis a representação do Julgamento Final, tempo de separação entre eleitos e condenados. Se acredito que Jesus Cristo há de vir, acolho melhor o convite à conversão e a estar preparado! O que é que entendo por Reino de Deus, era definitivamente nova inaugurada por Jesus Cristo?



Domingo, 13: A ALEGRIA DO EVANGELHO

«Exultai de alegria, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel» — exclama o salmista. «Alegrai-vos sempre no Senhor» — exorta Paulo aos Filipenses (segunda leitura). «Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria» — diz o profeta Sofonias (primeira leitura), inspirado no seu predecessor, Jeremias. Não é difícil encontrar a tónica comum aos textos deste domingo. Sim, hoje, «Deus está no meio de ti», em nós! A Igreja saboreia a espera do Senhor e dá-nos uma ajuda através do calendário litúrgico: recebamos, em comunidade, este Advento como um presente para reconhecer que o Senhor já está entre nós, neste tempo em que nos preparamos para festejar o seu nascimento na nossa humanidade!



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© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.12.15 | Sem comentários

Anunciar a alegria da fé! [9]


O terceiro «aspeto fundamental» na formação do discípulo missionário é o discipulado. Como lembramos (cf. tema 6), também neste tópico a Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG) alimenta-se das ideias expressas no Documento de Aparecida (DAp).

Discipulado

Eis as palavras usadas pelos bispos da América Latina e do Caribe para explicitar este aspeto essencial na formação do discípulo missionário: «A pessoa amadurece constantemente no conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre, se aprofunda no mistério de sua pessoa, de seu exemplo e de sua doutrina. Para esse passo são de fundamental importância a catequese permanente e a vida sacramental, que fortalecem a conversão inicial e permitem que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão no meio do mundo que os desafia» (DAp 278).

Amadurecimento

A base do discipulado assenta num processo de amadurecimento que acompanha toda a vida. Não é uma etapa da vida tendo em vista a passagem a uma outra etapa. Trata-se de um estado permanente marcado pelo «conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre», que «se aprofunda» na sua pessoa, no seu exemplo e doutrina. Por isso, aqueles e aquelas que aceitam ser discípulos de Jesus Cristo entram numa escola permanente: são sempre aprendizes. «O próprio Senhor, na sua vida mortal, deu a entender várias vezes aos seus discípulos que havia coisas que ainda não podiam compreender e era necessário esperar o Espírito Santo (cf. João 16, 12-13)» (EG 225). Uma aprendizagem que conta sempre com a presença e a cooperação do Mestre. O discípulo «sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele» (EG 266).

Catequese

Na formação do discípulo missionário, em que o amadurecimento é um processo ao longo da vida, a «catequese permanente» ocupa um lugar fundamental. Como nos temas anteriores, «também na catequese tem um papel fundamental o primeiro anúncio ou ‘querigma’, que deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial» (EG 164). «Nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio» (EG 165). Que anúncio é esse? «‘Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar’. Ao designar-se como ‘primeiro’ este anúncio, não significa que o mesmo se situa no início e que, em seguida, se esquece ou substitui por outros conteúdos que o superam; é o primeiro em sentido qualitativo, porque é o anúncio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese, em todas as suas etapas e momentos» (EG 164). Outro aspeto importante na «catequese permanente» tendo em vista a formação do discípulo missionário consiste na «iniciação mistagógica». Esta «significa essencialmente duas coisas: a necessária progressividade da experiência formativa na qual intervém toda a comunidade e uma renovada valorização dos sinais litúrgicos da iniciação cristã» (EG 166).

Vida Sacramental

O Documento de Aparecida faz ainda referência à «vida sacramental» em articulação com a «catequese permanente». A Eucaristia constitui «a plenitude da vida sacramental» (EG 47). Infelizmente, «são muitos os cristãos que não participam na Eucaristia dominical nem recebem com regularidade os sacramentos, nem se inserem ativamente na comunidade eclesial. [...] Este fenómeno nos desafia profundamente a imaginar e organizar novas formas de nos aproximar deles para ajudá-los a valorizar o sentido da vida sacramental, da participação comunitária e do compromisso cidadão» (DAp 286). Neste sentido, urge promover a dinâmica catecumenal subjacente à iniciação cristã. «A iniciação cristã, que inclui o ‘querigma’, é a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e iniciá-lo no discipulado. Dá-nos, também, a oportunidade de fortalecer a unidade dos três sacramentos da iniciação, e aprofundar o rico sentido deles. A iniciação cristã, propriamente falando, refere-se à primeira iniciação nos mistérios da fé, seja na forma do catecumenato batismal para os não batizados, seja na forma do catecumenato pós-batismal para os batizados não suficientemente catequizados» (DAp 288).

Reconheço que ser discípulo é um processo de amadurecimento ao longo de toda a vida? Para mim, que importância tem a catequese permanente e a vida sacramental?

© Laboratório da fé, 2015 














Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 3.12.15 | Sem comentários

CELEBRAR O DOMINGO SEGUNDO DE ADVENTO


A segunda etapa em direção ao Natal retoma e explicita os temas do domingo anterior. A espera não pode ser passiva! Tem de mexer connosco, já! «Levanta-te, Jerusalém» (primeira leitura), Deus está em ação e convida-nos a fazer o mesmo. Nesta altura do ano, eis que surge João Batista a interpelar-nos: «Preparai o caminho do Senhor» (evangelho). O Advento é também um tempo para nos alegrarmos perante as maravilhas de Deus (salmo), enquanto caminhamos com perseverança até ao «dia de Cristo» (segunda leitura). A salvação está próxima!

«Deus conduzirá Israel na alegria… com a misericórdia»
O livro de Baruc, uma obra escrita em grego, resulta de uma compilação de textos dispersos feita, provavelmente, ao longo do século segundo antes de Cristo. Todavia, esses textos foram atribuídos a Baruc, famoso secretário de Jeremias, que viveu no tempo da grande crise causada pelo império babilónico. Esta crise marcou profundamente a história do povo bíblico: a cidade e o templo de Jerusalém foram destruídos; a casa real e a maioria da população foi deportada para Babilónia.
O fragmento proposto na primeira leitura do segundo domingo de Advento (Ano C) faz parte de uma homilia profética que se inspira em grande medida nos textos do profeta dos tempos do exílio que atualmente conhecemos como «Segundo Isaías» (poemas e oráculos recolhidos nos capítulos 40 a 55 do livro de Isaías).
Baruc serve-se de um conjunto de símbolos e imperativos jubilosos: «Cobre-te com o manto da justiça… coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno». A destinatária é Jerusalém que, na linha da grande tradição profética, personifica todo o povo. A cidade destruída recebe um convite extraordinário: levanta-te e olha em direção ao oriente — é lá, na Babilónia, que se encontram os seus filhos deportados — para ver a ação de Deus. Algo novo vai acontecer: «Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis».
A mensagem de Baruc continua com a descrição da ação divina que dirime todos obstáculos geográficos em favor do seu povo: «Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus». Esta afirmação faz eco do texto de Isaías (40, 3-4) citado também no fragmento do evangelho.
O centro da mensagem de Baruc é o reconhecimento da obra de Deus: «Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória, com a misericórdia».

A palavra mostra-nos a maneira de agir de Deus: guiar as pessoas, com alegria, pelos caminhos do amor, caminhos de misericórdia, que se tornam sinais da sua presença. «Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. […] Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. […] Misericórdia: é o caminho que une Deus e o ser humano, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre» (MV 2).

© Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 2.12.15 | Sem comentários
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